O  silício  (Si) é o segundo elemento mais abundante na crosta terrestre.  Ele é encontrado na forma de óxidos (SiO₂),  compondo o grupo dos minerais silicatados formadores de rochas e seus sedimentos como areia, silte e argila. O teor de Si no solo depende do seu grau de intemperismo. Em suma, sua presença é maior em solos jovens, como os cambissolos.

O Si é considerado um elemento benéfico para diversas culturas de interesse econômico, como o arroz, batata, cana-de-açúcar, milho, algodão, etc. A utilização deste elemento no Brasil, em  pesquisas e em cultivos comerciais, se potencializou após sua  inclusão como micronutriente na legislação de fertilizantes pelo Ministério da Agricultura (Brasil, 2004).

As fontes de Si para cultivos são a utilização de escórias de siderurgia, silicatos de Ca, Mg e K. Além de fornecer silício para as culturas, esses materiais apresentam o potencial de serem úteis na correção do solo em decorrência da formação de ácido  monossilícico (H4SiO4), resultando no aumento de pH.

Diversas espécies vegetais, importantes na alimentação  humana, incluindo gramíneas (arroz, cana-de-açúcar, aveia, trigo, milho) e não gramíneas (feijão, alface, repolho), apresentam capacidade de acumular silício em seus tecidos, proporcionando maior crescimento e produção.

Conforme a capacidade de absorção e acúmulo de Si nos tecidos, as plantas podem ser classificadas em três grupos:

— plantas acumuladoras (100 a 150 g kg-1de Si)

— intermediárias (10 a 50 g kg-1 de Si)

— não-acumuladoras (concentrações abaixo de 5 g kg-1de Si)

Em gramíneas, o teor do elemento no tecido vegetal pode ser de 10 a 20 vezes maior do que nas dicotiledôneas.

O Papel do Silício na Nutrição dos Cultivos

Adubação com silício

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Apesar de sua abundância nos solos, o elemento não é considerado essencial para o pleno desenvolvimento das plantas, pois atua indiretamente no desenvolvimento delas. Ele é, portanto, considerado um elemento benéfico.

Existem 17 elementos essenciais para o crescimento e desenvolvimento das plantas: carbono (C), hidrogênio (H), oxigênio (O), nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg), enxofre (S), boro (B), cloro (Cl), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), molibdênio (Mo), níquel (Ni) e zinco (Zn).

A classificação do silício como elemento benéfico está relacionado a uma série de efeitos indiretos, como o aumento na capacidade fotossintética, aumento da resistência ao acamamento, redução da taxa transpiratória, estímulo da resistência das plantas a pragas e doenças, e redução do efeito tóxico do Mn, Fe, Al e Na. Além do aumento na absorção de outros elementos, tais como o fósforo.  Ademais, o Si pode atuar aumentando a capacidade fotossintética, reduzindo a taxa transpiratória, proporcionando maior resistência à estresses bióticos e abióticos.

O Si também pode ser considerado um elemento “semi essencial”. Visto que, cumpre o segundo critério dos quesitos de essencialidade, em que as plantas apresentam anormalidades em seu crescimento, desenvolvimento ou reprodução quando comparadas a plantas não privadas do elemento, permitindo considerá-lo fundamental para o desenvolvimento de diversas culturas.

Efeitos do Silício na Fisiologia das Plantas

Adubação com silício

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A deposição de silício como sílica hidratada amorfa (SiO₂.nH₂O), ocorre primeiramente no retículo endoplasmático, na parede celular e nos espaços intercelulares. Desse modo, quando o acúmulo ocorre nas paredes celulares dos órgãos de transpiração, ocasiona a formação de uma dupla camada de sílica-cutícula e sílica-celulosa.

Em decorrência à formação desta camada protetora há redução do processo de transpiração pelas plantas. Dessa forma, o desempenho das plantas em condição veranica será melhor. Em suma, as plantas terão maior resistência frente ao estresse ambiental, caso essa camada protetora seja formada.

A formação desta camada protetora contribui ainda para uma maior resistência mecânica das células, tornando as plantas mais resistentes frente ao ataque de pragas e doenças. Além disso, ocorre redução no acamamento e melhoria na captação de energia solar.

Ademais, a nutrição de plantas com Si conduz o aumento da capacidade fotossintética. Isso pode estar relacionado a uma melhora no desenvolvimento da arquitetura foliar das plantas, permitindo que as folhas permaneçam mais eretas e livres de possíveis danos, seja por fatores bióticos ou abióticos.

A aplicação de Si também afeta a fisiologia das plantas durante o processo infeccioso, auxiliando na manutenção da integridade  da  membrana  plasmática. Consequentemente, proporciona um avanço da capacidade fotossintética, além de elevar as  concentrações de clorofila a e b.

A aplicação de silício também provoca o aumento da ação do sistema antioxidante das plantas tratadas, principalmente da  dismutase do superóxido, peroxidase do ascorbato e lipoxigenase. Dessa forma, reduzindo os efeitos da infecção da doença.

O Silício no combate às pragas agrícolas

Adubação com silício

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A cultura do milho é severamente atacada por lagartas desfolhadoras. Visando minimizar o ataque e os prejuízos causados por estes insetos, são frequentemente realizadas aplicações de inseticidas químicos sintéticos. Entretanto, o uso frequente e não controlado destas substâncias pode selecionar populações de insetos resistentes, causando ressurgência de pragas, além de deixar resíduos sobre os alimentos.

Buscando solucionar os possíveis desequilíbrios causados por esta prática, torna-se necessário a utilização de estratégias integradas que sejam menos agressivas ao meio ambiente. Nesse sentido, a aplicação de fontes de silício proporciona uma barreira mecânica nas plantas, pois o mineral se acumula nas células epidérmicas e aumenta seu espessamento e rigidez, evitando o ataque de insetos praga.

Em estudos realizados com lagartas do cartucho do milho (Spodoptera frugiperda), alimentadas com discos foliares de milho tratados com Si, observou-se que os insetos sofreram desgaste nas mandíbulas devido à deposição de cristais desse elemento na folha. A associação desta estratégia ao uso da tecnologia Bt na cultura de milho, vem sendo empregada como alternativa no controle de S. frugiperda e redução na aplicação de inseticidas químicos.

Adubação Silicatada: Compensa?

Adubação com silício

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Não existe uma resposta genérica para esta pergunta. Os efeitos do Silício variam de cultura para cultura. Para alguns cultivos, como o arroz, em que há grande possibilidade de ocorrência de acamamento, este nutriente se faz essencial. Já em alguns estudos em campo, avaliando o efeito do Si em lagartas desfolhadoras, o tratamento não propiciou controle satisfatório com o Si sozinho tendo o estudo apontado à vantagem do uso do elemento no auxílio de prorrogação do aparecimento de resistência das lagartas aos inseticidas químicos.

Os benefícios do silício serão muito mais significativos se outros itens do sistema produtivo tiverem sido atendidos, como o fornecimento adequado dos elementos essenciais. Para atingir este objetivo, deve ser realizada necessariamente a correção adequada do solo e uma série de outras medidas.

Sendo assim, sistemas produtivos tecnificados devem avaliar cuidadosamente a adoção da adubação silitacatada, pois se trata de uma prática relativamente nova, que beneficia a planta ajudando na construção de uma barreira física contra diversos contratempos externos e, também na desintoxicação dos solos, removendo a acidez e o alumínio tóxico.

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