Os solos que cultivamos, são a base de sustentação de tudo o que produzimos. É nele que as plantas encontram os nutrientes e a água necessários para o seu desenvolvimento. No entanto, para que as plantas cresçam, existe um conjunto de características que podem resultar num solo fértil ou não.

Para que um solo seja considerado fértil, deve haver:

  • bom nível de atividade biológica
  • boa estruturação física
  • boas características químicas

Fertilidade do ponto de vista da Atividade Biológica

Fertilidade do solo

Fertilidade do ponto de vista da Atividade Biológica
Fertilidade do ponto de vista da Atividade Biológica

Estamos avançando significativamente na compreensão das interações entre plantas e microrganismos dos solos. Existe uma verdadeira rede de comunicação entre eles, o que permite o desenvolvimento de uma colaboração mútua. De um lado, fungos e bactérias colaboram com as plantas solubilizando nutrientes da matéria orgânica, liberando hormônios que estimulam o desenvolvimento radicular, transformando moléculas inertes em formas absorvíveis e utilizáveis pelas plantas. De outro, as plantas fornecem os carboidratos, fonte de energia preciosa, resultado da transformação de carbono, hidrogênio e oxigênio vindos do ar (CO2) e da água (H2O) em açúcar (C6H12O6).

Com o objetivo de medir o nível de atividade destes organismos no solo, a EMBRAPA desenvolveu o BioAs, que consiste na análise de duas enzimas utilizadas como bioindicadoras da qualidade biológica do solo. A ideia, é a de que possamos usar esta técnica nas análises de rotina em laboratórios de solo, para podermos ter parâmetros que indiquem a “saúde” do solo do ponto de vista biológico.

A grande crítica deste método é a de que as enzimas avaliadas também são produzidas por organismos patogênicos, ou seja, aqueles que podem provocar doenças nas plantas.

Fonte: Embrapa.

De qualquer forma, entende-se que a tecnologia lançada pela EMBRAPA é um avanço nas discussões e ferramentas que visam aumentar a fertilidade dos solos.

Além dos microorganismos, insetos e animais invertebrados atuam ativamente na estruturação dos solos, e criando galerias por onde circulam ar e água.

Fonte: Ciorganicos.

Fertilidade do ponto de vista físico

Fertilidade do solo

Fertilidade do ponto de vista físico
Fertilidade do ponto de vista físico

Como dito anteriormente, as plantas absorvem água e nutrientes do solo, e o fazem através das raízes. Para o desenvolvimento das raízes é necessário que não haja um impedimento físico, ou seja, áreas compactadas que dificultem o crescimento das raízes. A compactação dos solos ocorre por várias razões, entre as mais relevantes podemos destacar:

  • Fluxo de máquinas, pessoas e animais
  • Ausência de cobertura vegetal

A pressão realizada ao solo, comprime suas partículas, formando áreas tão densas que as raízes não conseguem transpor. Além disso, falta espaço para o ar atmosférico, necessário para levar oxigênio para as células radiculares respirarem.

As plantas de cobertura funcionam como verdadeiros amortecedores na superfície, atenuando o efeito da compactação. Além disso, suas raízes auxiliam na formação de agregados que permitem a circulação de água e ar, formando um ambiente mais adequado para o desenvolvimento radicular.

O diagnóstico para saber se um solo está compactado ou não pode ser feito por um engenheiro agrônomo, que utiliza técnicas com amostras de solo indeformadas, avaliação em trincheiras ou com um equipamento chamado penetrômetro. Caso identificado o problema de compactação, é recomendado um manejo utilizando subsoladores ou escarificadores associados ao plantio de plantas de cobertura.

A EMBRAPA sugere o uso do DRES (Diagnóstico Rápido de Estrutura de Solo) como forma de avaliar o nível de degradação do solo:

A)

Agregado com tamanho maior que 7 cm, exibindo superfícies de ruptura lisas, espelhadas, planas e formando ângulos retos
Foto: Henrique Debiasi

B)

agregado com forma laminar
Foto: Hudson Carlos L. Leonardo

C)

Solo desagregado próximo à camada compactada
Foto: Adoildo da Silva Melo

Agregados típicos de solos com qualidade estrutural degradada. A) Agregado com tamanho maior que 7 cm, exibindo superfícies de ruptura lisas, espelhadas, planas e formando ângulos retos; B) agregado com forma laminar; C) Solo desagregado próximo à camada compactada.

Fertilidade do ponto de vista químico

Fertilidade do solo

Fertilidade do ponto de vista químico
Fertilidade do ponto de vista químico

Mais comum entre os agricultores, as análises químicas de solo, oferecem a quantificação dos nutrientes e elementos tóxicos, além de outros parâmetros como o pH e o teor de matéria orgânica.

Um engenheiro agrônomo deve ser consultado para orientar como fazer a coleta das amostras de maneira correta, além de fazer a interpretação dos resultados destas análises. Para entender mais sobre isso, visite nosso artigo intitulado “5 passos para interpretar corretamente uma análise de solo”.

Preservando a fertilidade do solo

Preservação dos recursos naturais

Preservando a fertilidade do solo
Preservando a fertilidade do solo

A história da agricultura relata muitas vezes a cultura do extrativismo irresponsável, onde se explora o solo até sua exaustão para depois abandoná-lo quase estéril migrando-se para outra área naturalmente fértil. No entanto, hoje há uma grande preocupação em preservar os recursos naturais, o que limita essa prática que cada vez mais será combatida. Por isso, não faz mais sentido dedicar um grande esforço para se criar um ambiente favorável no solo para o bom desenvolvimento das plantas para depois, literalmente, deixá-lo ir embora. Precisamos de técnicas que preservem a fertilidade dos solos, as quais estão baseadas nos princípios de prevenção à erosão, aumento ou manutenção da matéria orgânica do solo, aumento da atividade biológica do solo e ausência de compactação.

Uma técnica bem antiga de combate à erosão é o terraceamento. Ela consiste em criar obstáculos separados a certa distância de espaçamento entre eles para desacelerar a água que corre em superfície e aumentar a infiltração. Com o uso de arados ou outros implementos, levanta-se uma quantidade significativa de terra distribuída em “curvas de nível” que acompanham a declividade do terreno, como mostra a foto a seguir:

uso de arados ou outros implementos, levanta-se uma quantidade significativa de terra distribuída em “curvas de nível” que acompanham a declividade do terreno

Como vimos anteriormente, o uso de coberturas vegetais é outra excelente alternativa. O solo nú está altamente exposto aos processos erosivos pelo vento e pela água das chuvas. Milhares de anos necessários para a formação de finas camadas de solo são levados em questão de horas, ou mesmo minutos, por uma enxurrada em solos mal drenados e compactados. Junto com esse solo vão os nutrientes tão preciosos e, para piorar o quadro, contaminam corpos de água impactando ainda mais negativamente no ambiente. Mesmo quando há o escorrimento de água superficial mais lento, ocorre o carreamento de solo e nutrientes contaminando rios e lagos, contribuindo para o empobrecimento do solo.

Havendo plantas na superfície do solo, há um impedimento físico para o escorrimento superficial. Além disso, suas raízes formam uma rede que dificulta o processo erosivo. Com menos água escorrendo, temos mais tempo para que esta água seja absorvida pelo solo e fique ali armazenada, contribuindo para a manutenção das nascentes de águas da propriedade e para maior tolerância a períodos de escassez de chuva pelas lavouras.

Nesta demonstração feita pela CATI (órgão da secretaria de agricultura e abastecimento do estado de São Paulo) isso fica bem ilustrado:

Observa-se na foto acima que onde há cobertura vegetal, a água coletada é mais clara, indicando menor quantidade de partículas de solo. Ao contrário, a água oriunda da bandeja em que o solo está desnudo é avermelhada, indicando o carregamento das partículas junto com a água.

Fonte: CDSR.

Observa-se na foto acima que onde há cobertura vegetal, a água coletada é mais clara, indicando menor quantidade de partículas de solo. Ao contrário, a água oriunda da bandeja em que o solo está desnudo é avermelhada, indicando o carregamento das partículas junto com a água.

Vários são os tipos de coberturas vegetais que podem ser utilizados. Veja a seguir algumas imagens cedidas gentilmente pelo colega agrônomo Fernando Ceccato:

Nabo Forrageiro

Cobertura vegetal Nabo Forrageiro

Crotalaria spectabilis

Cobertura Vegetal Crotalaria spectabilis

Consórcio milho + braquiária

Cobertura vegetal Consórcio milho + braquiária

O valor de nossa terra é imensurável quando analisamos o papel que ela tem tanto do ponto de vista econômico como do ambiental. Por isso, é um dever dos profissionais que atuam nestas áreas orientar corretamente os agricultores para garantirmos a sustentabilidade de produção. Cabe aos agricultores seguir essas orientações e deixar um legado próspero para os seus descendentes.

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