Provavelmente, o milho é a planta comercial de maior importância com origem nas Américas. O milho é bastante versátil, podendo ser utilizado de várias formas, desde a alimentação animal até a indústria de alta tecnologia.

Cerca de 70% da produção mundial do milho em grão é destinada à alimentação animal, o milho em grão também pode ser destinado à alimentação humana, apesar de não ter um valor expressivo, ele está bastante presente em produtos industrializados.

A produção de milho tem acompanhado o crescimento das produções de suínos e aves, tanto no Brasil quanto no mundo, as tendências de crescimento quanto produtividade estão ligadas a necessidade de suprir a demanda da alimentação animal, por isso as constantes preocupações para aumentar cada vez mais a produção de milho.

Projeção do milho para a safra 2022

A safra de 2020/2021 para o cultivo de milho não foi das melhores, desanimando muitos produtores, esse grande impacto se deu principalmente pela ausência de chuvas.

Essa escassez de chuva acabou reduzindo em pelo menos 20% a produtividade média das lavouras brasileiras se comparados às safras anteriores.

Porém, a safra de 2021/2022 traz indícios de um novo cenário, as expectativas de crescimento são bastante altas. As estimativas mais pessimistas calculam produção de quase 116 milhões de toneladas de milho, já as mais positivas acreditam que a produção pode ultrapassar os 125  milhões de toneladas do grão nesta safra.

Estas projeções levam em consideração a soma das três temporadas de plantio, em ambos os cenários a produção total deverá registrar um novo recorde.

A que se deve esse aumento na produção?

O principal motivo para o aumento de produtividade na cultura do milho é a chuva. Os estados produtores mais relevantes como Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, além de outros da região Norte e do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) contaram com um período mais que satisfatório de chuvas nas primeiras semanas de novembro.

Essa alta incidência de chuva nas regiões produtoras, que vem favorecendo a cultura do milho se deve a formação e atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), esse fenômeno elevou a umidade do solo, favorecendo assim a implantação e o desenvolvimento dos cultivos de verão.

Nas regiões Sul, a produção foi favorecida por conta da baixa ocorrência de chuva entre o período final do inverno e início da primavera, o que beneficiou a maturação dos grãos e a colheita dos cultivos de inverno.

O milho safrinha será um dos protagonistas para o aumento na produtividade, sendo impulsionado pelo incremento de volume, registrando um crescimento de até 87,3 milhões de toneladas, um aumento de aproximadamente 45% a mais quando comparado com a safra anterior.

A primeira e última safra não terão incrementos tão significativos quanto a safrinha, mas juntas podem totalizar um aumento de quase 30,1 milhões de toneladas, com aumento aproximado de  9% e 5% respectivamente.

Quais são as diferenças entre as safras de 2020/2021 e 2021/2022?

Safra do milho

A cultura do milho deve apresentar recordes para a safra 2021/2022 com produção estimada em aproximadamente 125,553 milhões de toneladas, um saldo bastante positivo se comparado aos 89,315 milhões de toneladas na safra anterior de 2020/2021.

As previsões também são bastante positivas quando se trata de exportações para o milho do Brasil, segundo a Conab, são previstas a exportação de aproximadamente 36.680,00 milhões de toneladas, um volume muito superior à média de 19,2 milhões de toneladas, exportadas durante o ano de 2021, com base na safra de 2020/2021.

Os números não são positivos apenas para a exportação, o Brasil também pretende reduzir em quase metade o número de importações para a próxima safra, com uma média de apenas 1,1 milhão de toneladas, ficando dessa forma abaixo dos 2,7 milhões de toneladas importadas em 2021.

Acima temos as estimativas médias comparativas feitas pela CONAB entre as safras de 2020/2021 e 2021/2022, mostrando assim como a safra de 2021/2022 trará grandes benefícios e expectativa de crescimento não apenas para o produtor, como para o agronegócio brasileiro.

Otimismo e preocupações

Safra do milho

Apesar dos números positivos para a safra de 2021/2022 ainda sofremos com um grande risco de desabastecimento do mercado, isso se deve principalmente a alta procura de milho para ração animal e o crescimento da sua utilização  para a produção de etanol.

A nova safra inicia com estoques em baixa, contando com apenas 5 milhões de toneladas, esse volume representa metade dos estoques de milho das últimas safras, e um terço das safras de 2018/2019 e 2017/2018, que haviam apresentado números recordes e bastantes positivos.

Segundo a Conab há uma estimativa de aumento em torno de 3,4% dos estoques, além da recuperação na produção de milho. Se essas estimativas forem confirmadas o Brasil deve recuperar seu protagonismo no mercado internacional, conquistando a posição de segundo ou terceiro maior exportador mundial de milho, o otimismo vai além e projeta uma recuperação dos estoques esperados ao final do ano safra, garantindo um estoque de quase  10 milhões de toneladas.

Previsões financeiras

A previsão para a rentabilidade média nesta safra está estimada em torno de 55% no Paraná e 62% no Mato Grosso, uma estimativa bastante promissora levando em consideração que as medidas da safra anterior ficaram entre 45% e 60%.

Segundo a Conab, o valor da saca de 60 quilos alcançou seu melhor valor em dezembro, atingindo assim a máxima de  R$ 87,57 no dia 20/12/2021, de acordo com dados do Cepea.

Os fatores que contribuem para essa valorização do milho são:

  • Baixo estoque de passagem;
  • A quebra de safra em 2020/2021;
  • Oferta reduzida devido ao clima;
  • Problemas com incidência de pragas na lavoura;
  • Preço internacional em alta;
  • Desvalorização do real;

Apesar do aumento no valor do milho, o órgão espera uma queda nas cotações nacionais, principalmente após a colheita do milho safrinha. A projeção para o valor da saca é de R$ 72,49 em junho de 2022, uma ligeira queda, mas ainda deixando margem para lucro do produtor.

Os fatores que podem contribuir para a desvalorização do milho geralmente estão relacionados às incertezas quanto à demanda do mercado chinês, além dos elevados custos com importação e exportação.

Apesar destes fatores, as previsões continuam positivas, isto se deve principalmente à tendência de crescimento que os preços internacionais vêm apresentando, consequência também do movimento de recomposição de estoques por grande parte dos países e ao aquecimento quanto a demanda por grãos, principalmente aqueles que podem ser destinados à ração animal.

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