Os nematoides são pragas muito comuns nas lavouras, e tem o potencial de causar danos na maioria das plantas cultivadas com interesse econômico, entre elas: soja, algodão, cana-de-açúcar, milho, tomate, batata, cenoura, café, entre outras. Segundo a Dra. Adriana Aparecida Gabia, só na cultura da soja, mais de 100 espécies de nematoides, envolvendo cerca de 50 gêneros, foram associadas ao seu cultivo em todo o mundo.

Quais são os nematoides mais prejudiciais?

No Brasil, os nematoides mais prejudiciais à cultura têm sido os formadores de galha, Meloidogyne incognita e Meloidogyne javanica, o nematoide das lesões radiculares, Pratylenchus brachyurus e o nematoide do cisto da soja (NCS) Heterodera glycines.

Como apresentado pelo pesquisador do Instituto Matogrossense do Algodão (IMA), Dr Rafael Galbieri, as perdas causadas pelos nematoides são de cerca de R$ 35 bilhões.

Dentre as espécies que mais ocorrem se destaca o P. brachyurus, ocorrendo em 95% das áreas dos plantios de Mato Grosso e Goiás. No entanto, apesar de estar distribuído em praticamente todas as áreas, seu nível de infestação é de 7 a 20 vezes menor que M. incognita. Ou seja, se coletarmos uma amostra de solo, é muito mais provável observarmos indivíduos de P. brachyurus do que M. incógnita, mas quando os encontramos numa determinada área, seu número é muitas vezes menor do que estes dois últimos. Isso também nos faz pensar que nem sempre P. brachhyurus causa danos econômicos às culturas. Para um correto diagnóstico é preciso fazer a coleta de modo correto e enviá-la para um especialista fazer a sua interpretação, para que ele cheque se a quantidade presente já atingiu nível de dano significativo. Atualmente, Heterodera glycines está presente em dez estados brasileiros: MG, MS, MT, GO, SP, PR, RS, BA, TO e MA.

Danos causados por nematoides na agricultura brasileira

Fonte: Congresso do Algodão.

De maneira geral, os nematoides infectam as raízes das plantas e, em média, causam entre 10 e 30% de perda, podendo chegar a 100%. Por isso, fazer um diagnóstico precoce é fundamental para entender as espécies que ocorrem na lavoura, seu nível de infestação, possibilitando que um especialista indique qual o melhor manejo possível.

Consulte o Manual Prático de Coleta para obter mais detalhes de como realizar a amostragem de forma correta.

Vamos nos aprofundar um pouco mais sobre cada uma destas espécies e verificar como podemos manejá-las.

Pratylenchus brachyurus

Nematoide das lesões

Nematoide das lesões, o Pratylenchus brachyurus
Nematoide das lesões, o Pratylenchus brachyurus

Conhecido também como nematoide das lesões, o P. brachyurus é classificado como endoparasita migrador. Ele penetra nos tecidos das raízes os destruindo e ocasionando a morte das células. Na foto a seguir podemos observar em rosa centenas de nematoides se alimentando dentro das raízes.

Nematoide das lesões, o Pratylenchus brachyurus

Fonte: Mais soja.

Como consequência, podemos observar a olho nú os sintomas de raízes necrosadas e escurecidas, ou ausentes. Sua passagem deixa uma abertura que é porta de entrada para fungos e bactérias oportunistas que aceleram o processo de podridão.

Amostra de raíz com Pratylenchus brachyurus

Fonte: Agrolink.

Nas lavouras, podemos observar desde irregularidade na altura das plantas, até áreas muito grandes com plantas mortas, como mostra a foto seguinte.

O manejo do nematoide das lesões pode ser feito utilizando coberturas vegetais como crotalárias. Como espécie de plantas de interesse econômico podemos citar o girassol. Outras opções são o controle biológico, o alqueive (em áreas muito infestadas, mas com o cuidado de não o dispersar ainda mais pela lavoura) e o controle químico.

Ao final deste artigo apresentamos algumas tabelas para auxílio na tomada de decisão de qual cobertura ou planta para rotação de culturas escolher em função do nematoide presente na área.

Área de soja infestada com P. brachyurus.

Meloidogyne incognita e Meloidogyne javanica

Nematoide de galhas

Nematoide de galhas, o Meloidogyne incognita
Nematoide de galhas, o Meloidogyne incognita

As galhas são formadas por injeção de secreções que estimulam o crescimento exagerado das células, originando as células gigantes. Na parte aérea das lavouras observamos desuniformidades e reboleiras.

Lavoura com desuniformidades e reboleiras.

Fonte: Promip.

As medidas de controle são muito parecidas entre as várias espécies de fitonematoides. A rotação de culturas é uma das estratégias mais importantes, com boas opções de plantas não hospedeiras ou más hospedeiras como milho, sorgo, algodão (para M. javanica). Entre as coberturas vegetais, as crotalárias e braquiária são uma boa opção. Além dessas medidas, o controle biológico e o químico também podem ser utilizados de forma integrada.

Heterodera glycines

Nematoide de Cisto da soja

Nematoide de Cisto da soja – Heterodera glycines
Nematoide de Cisto da soja – Heterodera glycines

Fonte: Revista Globo Rural, foto de José Medeiros.

Além da amostragem de solo e raízes, é possível observar alguns sintomas de seus danos nas lavouras de forma visual. Para o nematoide de cisto Heterodera glycines, muito comum nas áreas de soja do Brasil, observa-se sintomas em forma de “reboleiras” no meio da lavoura, como na foto a seguir:

Nestas reboleiras, as perdas são muito grandes, chegando a 100% próxima do seu centro. O cuidado para que os indivíduos presentes nestas áreas não dispersem para outros pontos da lavoura deve ser muito grande. Os nematoides podem ser levados pela água das chuvas, pelos implementos agrícolas (plantadoras, grades, arados, escarificadores etc.), e até mesmo pelos ventos. Uma vez que este nematoide esteja presente na área, é muito difícil eliminá-lo. As fêmeas desenvolvem uma estrutura de resistência chamada cisto, que contém ovos. Estes ovos podem permanecer viáveis por 10 anos ou mais! Como conta o Professor e pesquisador Dr. Pedro Luiz Martins Soares da Universidade Estadual Paulista (UNESP).

Na imagem abaixo observa-se à esquerda um cisto de H. glycines intacto, à direita o cisto rompido extravasando os ovos do seu interior.

à esquerda um cisto de H. glycines intacto, à direita o cisto rompido extravasando os ovos do seu interior.

Na imagem abaixo observa-se pequenas pontuações amareladas, que correspondem às fêmeas do nematoide de cisto em raízes de soja.

pequenas pontuações amareladas, que correspondem às fêmeas do nematoide de cisto em raízes de soja.

Fonte: Ferraz e Brown, 2016.

A forma mais barata de se manejar esta espécie de nematoide é aquela preventiva. Mas se já o temos em nossa lavoura, podemos optar por variedades resistentes – tomando-se o cuidado de avaliar qual a raça presente na área para escolha da variedade correta (veja a tabela a seguir). Assim como nos casos citados anteriormente, a rotação de culturas é uma excelente opção com várias opções de cultura de interesse econômico, tais como algodão, milho, entre outras. Quanto às plantas de cobertura, tais como Crotalária juncea ou C. spectabilis e milheto, diminuem a população do nematoide, devendo-se evitar, apenas, a Crotalaria ochroleuca, pois esta o multiplica. Controle biológico e químico, também são uma opção de controle.

Tabelas auxiliares para escolha de variedade, coberturas e opções de rotação de culturas

Tabela 1: Identificação das variedades susceptíveis a H. glycines, com base no índice de fêmeas (IF) expressado pelas variedades e linhagens diferenciadoras.

Tabela de identificação das variedades de nematoides

Fonte: Mais soja.

tabela-tipos de nematoides nas lavouras

Fonte: Elevagro.

Plantas hospedeiras por espécie de nematoide.

Plantas hospedeiras por espécie de nematoide.

Fonte: Roberto G. Torres et al. Adaptado.

Plantas não hospedeiras ou más hospedeiras.

Plantas não hospedeiras ou más hospedeiras.

Fonte: Roberto G. Torres et al.

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