Compreender quais são os nutrientes das plantas, como eles são requeridos e como garantir que estejam disponíveis, é fator essencial para uma boa produção agrícola.

Como as plantas são feitas e como funcionam?

Para responder a esta pergunta, vamos exercitar nossa imaginação e entrar dentro das plantas, observar do que elas são feitas e como funcionam. Elas são organismos vivos. Ou seja, através de um código genético contido no DNA de cada célula, são capazes de se desenvolverem e se multiplicarem. Esse desenvolvimento significa aumentar de tamanho, aumentar o número de estruturas como raízes e folhas, e para este crescimento, é necessário que a matéria prima venha de algum lugar. Assim como para que uma casa saia do projeto e se torne realidade são necessários tijolos e argamassa, as plantas têm que “sair” do DNA (que é o “projeto” da planta) para virar células que vão se diferenciar nas mais diferentes estruturas. Os tijolos e argamassa das plantas são os nutrientes, matérias-primas sem as quais é impossível completar seu desenvolvimento. Por isso que alguns professores corrigem as pessoas que usam o termo nutriente essencial, pois na palavra nutriente já está contida a ideia de essencialidade. Nutriente essencial é um termo redundante. Não há nutriente dispensável. Os nutrientes são essenciais e ponto.

Se pudéssemos entrar dentro das plantas, observaríamos suas células trabalhando, se dividindo, aumentando de tamanho. Destas células, mensageiros entrando e saindo a todo momento, entrando e saindo dos seus núcleos, levando informações para outras organelas onde as proteínas são sintetizadas de acordo com as necessidades. Milhares de reações químicas acontecendo em milionésimos de segundo. Tudo isso acontecendo num ambiente aquático (a água corresponde a cerca de 75% a 90% da massa de uma planta herbácea, dependendo da espécie).

Como podem imaginar, para que todos estes processos ocorram é preciso uma fonte de energia, e é aí que começamos a entender qual o papel dos nutrientes. A fonte de energia para os organismos são os carboidratos (açúcares, amido e celulose) e estes são moléculas formadas por 3 nutrientes: Carbono (C), Hidrogênio (H) e Oxigênio (O). As plantas são capazes de retirar o C da atmosfera, H e O da água, e transformá-los em carboidratos. Para se ter uma ideia de quanto eles representam, cerca de 44% da biomassa de uma planta é composta de C, 42% de O, 6% de H. Os minerais integram os 8% restantes. Em outras palavras, 92% da biomassa de uma planta é composta de 3 nutrientes: C, O e H.

nutrientes: glicose, celulose e amido
planta-nutrientes

A maioria das funções dos demais nutrientes são a de COMPONETES ESTRUTURAIS (fazendo parte de moléculas, por exemplo: N – componente de aminoácidos, proteínas, etc; Ca – componente da parede celular; Mg – componente da molécula de clorofila) e ATIVADORES ENZIMÁTICOS, tais como: Fe, Cu, Mn, Mo, Zn e Ni. Todos estes nutrientes são absorvidos da solução do solo.

Um grupo de nutrientes minerais são demandados pelas plantas numa ordem de grandeza de kg/ha e outro grupo de g/ha. Por isso receberam uma classificação que os separa em Macro e Micro nutrientes.

Os MACRONUTRIENTES são: N, P, K, Ca, Mg e S. As quantidades extraídas variam de acordo com as culturas. Como exemplo, são necessários 328 kg/ha de N para uma lavoura que produza 60 sc/ha de soja e 168 kg de K para uma lavoura de milho que produza 120 sc/ha de milho.

Os MICRONUTRIENTES são: B, Cu, Mn, Fe, Zn, Mo, Cl e Ni. Para os mesmos 60 sacos de soja precisamos 233 g/ha de boro e para produzir 120 sc/ha de milho são necessários 465 g/ha de zinco.

Analise os quadros a seguir e compare as grandezas entre os diferentes nutrientes:

tabela de macronutrientes e micronutrientes

Composição elementar em matéria seca da cultura da soja, expressa por área (Grãos e restos culturais)

Composição elementar em matéria seca da cultura da soja, expressa por área (Grãos e restos culturais)

Nutrição das plantas cultivadas

Aspecto nutricional das plantas

Nutrição das plantas cultivadas
Nutrição das plantas cultivadas

Para uma boa produção agrícola é preciso um olhar atento ao aspecto nutricional das plantas. Fazemos isso através de exames laboratoriais como análises de tecidos (folhas, por exemplo) e solo.

Lançamos mão das análises de solo na fase de planejamento pré-plantio, considerando o que está disponível para as plantas. Em outras palavras, com o que podemos contar. As quantidades faltantes e as quantidades para reposição dos nutrientes nos solos são calculadas e aplicadas através de adubações. Veja mais detalhes no artigo “5 passos para interpretar corretamente uma análise de solo

Já, as análises foliares, são para a verificação da eficácia das adubações, se as plantas estão de fato bem nutridas ou não. Como, em geral, deve-se coletar as folhas para análises próximas ao florescimento pleno da cultura, esses resultados auxiliam no planejamento da safra seguinte. O momento de coleta é crucial para que possamos comparar os dados coletados com aqueles de referência. Como exemplo, não podemos comparar os dados de uma análise foliar de uma planta jovem com um dado de referência de uma folha coletada de uma planta mais velha. Para mais detalhes consulte os Métodos para coleta de Tecido Vegetal.

Soja

  • Coletar na no florescimento;
  • Coletar a 3° folha com pecíolo a partir do ápice;
  • Coletar 30 folhas/há (uma por planta).

Algodão

  • Coletar na época do florescimento;
  • Coletar limbo da 5° folha, a partir do ápice da haste principal;
  • Coletar 30 folhas/há (uma por planta).

Milho

  • Coletar na época do pendoamento (50% das plantas);
  • Coletar o terço médio da folha da base da espiga;
  • Coletar 30 folhas/há (uma por planta).

Feijão

  • Coletar no início do florescimento;
  • Coletar a 3° folha com pecíolo;
  • Coletar 30 folhas/há (uma por planta).

Compreender quais são os nutrientes das plantas, como eles são requeridos e como garantir que estejam disponíveis, é fator essencial para uma boa produção agrícola.

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