Os nematoides estão presentes em todo o território nacional. Em alguns casos é possível identificar alguns sintomas visuais da sua presença. Porém não é raro que produtores sofram prejuízos na produtividade sem conseguir reverter a situação sendo que a verdadeira causa é a presença nematoides nas raízes, que não estão deixando sinais de sua presença

No geral, nematoides são organismos de difícil controle, pois o sucesso na sua erradicação envolve a adoção de práticas complexas, como a rotação de culturas e a adoção de cultivares resistentes ao seu ataque.

A tomada destas decisões impacta em todo o planejamento agrícola e, considerando o risco à sustentabilidade caso elas não sejam acertadas, é crucial o correto procedimento de identificação das espécies presentes e também em quais pontos da propriedade estão localizados os pontos de infestação.

Aqui na Solum possuímos técnicos especialistas na identificação das espécies de nematoides parasitas de plantas e a melhor estrutura laboratorial para garantir agilidade e precisão em nossos resultados.

Conheça os principais nematoides das grandes culturas do Brasil

Existem espécies de nematoides que parasitam animais, popularmente conhecidos como vermes, espécies que parasitam plantas e espécies de vida livre.

Os nematoides parasitas de plantas são organismos microscópicos e invertebrados, compondo um dos maiores grupos de animais da face da terra.

Na natureza existe uma diversidade de espécies com hábitos alimentares diferentes, sendo muito importantes na natureza devido à sua contribuição no processo de ciclagem da matéria orgânica.

Quando pensamos nas grandes culturas agrícolas brasileiras (soja, milho, algodão), existem 5 principais espécies de nematoides mais frequentes que causam perdas de produção:

– Meloidogyne incógnita (nematoides das galhas)

Meloidogyne javanica (nematoide das galhas)

– Heterodera glycines (nematoide de cisto da soja)

– Rotylenchulus reniformis (nematoide reniforme)

– Pratylenchus brachyurus (nematoide das lesões radiculares)

Descrição das principais espécies de nematoides de grandes cultivos do Brasil

Nematoides

A seguir, será apresentada uma descrição mais detalhada destas espécies, publicada pela Embrapa com título: Nematoides em Cultivos Integrados. A fonte da publicação se encontra ao final desta matéria.

Meloidogyne javanica

É um dos principais nematoides que ocorrem em soja, causando galhas radiculares, e apresenta a peculiar característica de não incitar galhas em raízes de milho, mesmo em cultivares nas quais se multiplica abundantemente.

É a mais frequente das espécies de Meloidogyne na cultura da soja no Brasil Central. Há grande variabilidade em genótipos de soja e milho quanto à suscetibilidade a M. javanica, que deve ser levada em consideração no manejo de áreas infestadas, preferindo-se aquelas resistentes, ou seja, que não multipliquem o nematoide.

Vale destacar que M. javanica não parasita o algodoeiro e tampouco algumas gramíneas forrageiras e leguminosas utilizadas como culturas de cobertura ou adubos verdes.

Meloidogyne incógnita

É um nematoide polífago que ocorre em soja, algodoeiro e milho, além de uma série de outras culturas anuais e perenes e plantas daninhas. É uma das principais espécies parasitas do algodoeiro, principalmente em áreas de exploração mais recente. A disponibilidade de resistência em cultivares de soja, algodão e milho é limitada, o que dificulta o manejo por uso de variedades resistentes ou rotação de culturas.  De forma semelhante a M. javanica, há forrageiras e leguminosas resistentes a M. incógnita.

Heterodera glycines

É um dos principais problemas fitossanitários que ocorrem na cultura da soja.

Se por um lado é motivo de preocupação pelos expressivos danos que causa à cultura, por outro apresenta a importante característica de ter um limitado ciclo de hospedeiros, o que torna a prática de rotação de culturas uma importante alternativa para o manejo de áreas infestadas.

No entanto, deve-se considerar o fato de que, em função de sua capacidade de sobrevivência por vários anos na ausência de hospedeiros, o período de rotação com culturas não hospedeiras requerido para a diminuição da densidade populacional no solo deve ser usualmente muito longo. A espécie não é parasita de algodão, milho e tampouco de outras várias culturas anuais de importância agrícola.

Rotylenchulus reniformis

É um dos mais importantes nematoides do algodoeiro, principalmente em áreas de exploração mais antiga. É um nematoide que, diferentemente dos demais mencionados, ocorre em solos de diferentes classes texturais, inclusive os argilosos, onde é particularmente predominante.

Além do algodoeiro, o nematoide reniforme parasita a soja e outras várias culturas. No entanto, a grande maioria das gramíneas que compõem os diferentes sistemas de produção no País é resistente, incluindo milho e forrageiras.

Em condições de estresse (ausência de hospedeiro suscetível e baixas umidade ou temperatura do solo), o nematoide entra em estado de anidrobiose (capacidade de manter-se em ambiente com restrição quase que total de água, por períodos mais ou menos prolongados), aumentando sua capacidade de sobrevivência, o que pode interferir na eficiência da prática da rotação de culturas, exigindo períodos mais longos com ausência de hospedeiros favoráveis.

Pratylenchus brachyurus

O nematoide das lesões radiculares, P. brachyurus, tem sido encontrado com alta frequência em solos e em altas densidades populacionais, em raízes de soja e algodoeiro no Cerrado, associado a danos a essas culturas.

Há várias hipóteses para a ocorrência do nematoide das lesões radiculares no Cerrado, que poderiam estar ocorrendo de forma isolada ou, o que é mais provável, simultaneamente: i) o uso de gramíneas forrageiras suscetíveis como culturas de cobertura para o Sistema Plantio Direto (SPD), ou o cultivo de milho ou sorgo após a soja, permitindo a manutenção da população do nematoide, que é um eficiente parasito de gramíneas, durante a entressafra; ii) a falta de preparo do solo no SPD, aumentando o período de degradação (mineralização) das raízes das plantas de soja ou algodoeiro, o que permitiria a manutenção do nematoide nas raízes remanescentes, visto o nematoide das lesões ser um típico endoparasito de raízes; iii) o uso de áreas marginais, de textura arenosa ou média, para o cultivo de soja ou algodoeiro, favorecendo a ocorrência e danos causados pelo nematoide.

Sintomas da presença de nematoides

Nematoides

O principal sintoma do ataque de nematoides são as “reboleiras”.

Se tratam de áreas, geralmente com formato circular, cujas plantas apresentam prejuízo no desenvolvimento, e muitas vezes coloração amarelada e aspecto de murcha causado pela dificuldade na absorção de água, provocada pela presença dos nematoides nas raízes.

Cada espécie de nematoide produz um sintoma característico, podendo variar de nenhuma mudança no aspecto visual acompanhada de redução da produtividade, até formação de tumores nas raízes, conhecidos como galhas.

No geral sintomas visuais não são a melhor forma de diagnóstico e podem levar ao erro nas táticas de controle pois existe muita variabilidade nas suas apresentações e outras causas distintas que levam a manifestação do mesmo sintoma, como a deficiência de micronutrientes no solo, por exemplo.

É comum a ocorrência de nematoides sem a manifestação de sintomas visuais, se tornando uma fonte de prejuízos silenciosa.

A escolha da tática de combate aos nematoides

As alternativas de manejo dos nematoides são: controle químico, controle varietal, rotação de culturas e adubação verde.

O primeiro passo para a escolha da estratégia de controle é saber exatamente de qual espécie se trata, pois, conforme descrito nas linhas a cima, cada espécie possui comportamentos característicos que exigem medidas próprias para cada caso.

O controle químico é considerado de custo elevado e tem menos espaço na preferência dos agricultores em relação às demais alternativas, principalmente tendo em vista que elas geram outros benefícios para a produtividade.

O controle varietal é baseado na escolha de variedades da cultura que se deseja implantar. Devem ser escolhidas variedades que sejam tolerantes a ação dos nematoides. Ou seja, linhagens de soja, milho, algodão e etc., cuja microestrutura física ou composição química, não seja favorável a ação dos nematoides. Esta escolha deve levar em conta este aspecto e demais características da área onde vai ser implantada a cultura, como: textura do solo, clima, relevo, produtividade esperada e etc.

A rotação de culturas é uma das medidas mais poderosas no manejo dos nematoides pois geralmente as espécies atacam uma cultura e na ausência desta, o ciclo biológico dos nematoides é interrompido, provocando uma grande redução na população desta praga.

A adubação verde, principalmente com espécies de crotalárias, é outra importante ferramenta de controle de nematoides. Existem espécies destas plantas que são fatais contra os nematoides e a implantação de um hectare com esta cultura, além de ser mais barato do que uma aplicação de defensivos químicos, ainda aumenta o teor de matéria orgânica e de nitrogênio no solo.

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