Qual a forma correta de aplicar Cobalto e Molibdnênio?

Cobalto e molibdênio

Nas matérias anteriores trouxemos explicações detalhadas sobre como o empresário agrícola é beneficiado tanto agronomicamente quanto financeiramente pelo trabalho das bactérias fixadoras de nitrogênio a partir do processo de Fixação Biológica de Nutrientes (FBN) e fizemos uma estimativa da equivalência entre a quantidade de nitrogênio (N) fixado pelas bactérias com a quantidade de N fornecida pela adubação nitrogenada com ureia.

Explicamos também como os processos fisiológicos que comandam a fixação e troca deste N entre as plantas e as bactérias são totalmente dependentes dos micronutrientes cobalto (Co) e molibdênio (Mo).

Vimos que sem eles as plantas não teriam acesso ao N, que além de participar de todos os processos metabólicos de crescimento da planta de soja e na formação dos grãos, na forma de proteínas, enzimas e moléculas como a clorofila. Além disso, o N é o nutriente central buscado pelos seres humanos que utilizam a soja como fonte de alimento, tanto para rebanhos quanto para sua alimentação, na forma de alimentos processados.

Para finalizar esta série de matérias com foco na nutrição da soja vamos conhecer as principais formas de identificação da necessidade de adubação com Co e Mo e as principais formas de aplicar estes nutrientes tendo como base experimentos realizados a campo no Brasil.

Quanto, Como e quando e aplicar o Co e Mo

Cobalto e molibdênio

Quanto, Como e quando e aplicar o Co e Mo

Quanto:

Assim como para qualquer outro macro ou micronutriente, não existem recomendações genéricas que atendam os critérios técnicos que uma área de produção de alta produtividade exige.

A primeira medida a ser tomada pelo empresário agrícola é a realização periódica de analises de nutrientes e pH nos solos ou analise de teores foliares de nutrientes.

Apenas com os resultados das análises de solo ou foliar o empresário conseguira atingir o máximo de lucratividade, pois a partir destes resultados ele pode aplicar apenas a quantidade necessária de cada nutriente, podendo eliminar algumas operações mecanizadas de aplicação de adubos caso os teores de nutrientes disponibilizados pela cobertura vegetal atinjam a exigência cultural. Essa é uma das vantagens que o Sistema de Plantio Direto pode trazer ao produtor agrícola, quando bem manejado.

As indicações técnicas atuais desses nutrientes são para aplicação de 2 a 3g de Co e 12 a 30g ha-1 de Mo via semente ou em pulverização. A determinação exata é realizada com base nos resultados das análises nutricionais.

 

Como:

A aplicação de micronutrientes pode ser realizada de diferentes formas: aplicação foliar, no tratamento de sementes ou diretamente no solo, junto com a adubação convencional.

Quanto aplicar de Co e Mo

Apesar de ser uma forma pratica e barata, a aplicação de Co e Mo via tratamento de sementes exige rigor nos cuidados a serem tomados, pois a sobrevivência das bactérias fixadoras pode ser prejudicada pela presença destes micronutrientes.

Os principais cuidados para a aplicação via semente são: realizar a semeadura logo após o tratamento, escolha de produtos de alta qualidade, usar exatamente as quantidades recomendadas pelo fabricante e realização da semeadura sob ótimas condições de umidade de solo, para garantir a germinação o mais rápido possível.

 

Quando:

A aplicação pode ser feita logo antes da semeadura, no caso de tratamento de sementes, devendo ser aplicado antes da inoculação com Bradyrhizobium para potencializar a FBN.

Ou pode ser aplicado via pulverização sob as plantas quando estiverem nos estádios de desenvolvimento V3 a V5.

Testando diferentes combinações de fontes de Co e Mo com diferentes épocas de aplicação: experimento 1- Meschede et. al (2004)

Cobalto e molibdênio

Testando diferentes combinações de fontes de Co e Mo

A Melhor forma de ilustrar os efeitos que esperamos é mostrar resultados de experimentos científicos que compararam diferentes formas de tratamento sob condições controladas onde todas as condições ambientais e tratos culturais foram os mesmos para todos os tratamentos, mudando apenas as formas de aplicar Co e Mo.

Em experimento realizado na cidade de Maringá, em Latossolo Vermelho eutroférrico de textura argilosa, Meschede et. al (2004) testaram a aplicação de 2% de Co e 12% de Mo via tratamento de sementes e também via adubação foliar em diferentes estágios da cultura.

Os tratamentos foram compostos pelos seguintes produtos comerciais aplicados nos estágios de desenvolvimento das plantas indicados.

  • T1- Comol aplicado no estágio V4
  • T2- Bas-Citrus  aplicado no estágio V4
  • T3- Bas-Citrus  +  Fetrilon  aplicados no estágio V4
  • T4- Bas-Citrus  +  Fetrilon  aplicados no estágio R4
  • T5- testemunha  sem  aplicação.

A composição dos produtos é a seguinte: Comol (12% Mo e 2% Co), Bas-Citrus (10% N, 4% Zn, 3,7% S, 3% Mn e 0,5%  B) e Bas-Citrus + Fetrilon (4% Mn,  4% Fe, 1,5% Cu, 1,5% Zn e 1% Mo). A dosagem utilizada dos diferentes produtos comerciais avaliados foi a recomendada pelo fabricante.

O tratamento foi realizado no momento da semeadura em conjunto com o fungicida Vitavax- Thiram (Carboxim + Thiram). Após o tratamento das sementes com fungicidas  + micronutrientes (Mo + Co), foi realizada a inoculação das sementes com a bateria fixadora de nitrogenio Bradyrhizobium  japonicum, com o produto comercial Nitragin.

As aplicações foliares foram realizadas utilizando pulverizador costal pressurizado a CO2 com vazão regulada em 200L/ ha e os tratos culturais foram os padrões preconizados pela Embrapa para os sistemas de plantio de soja da região (Embrapa Soja, 2000).

As plantas foram colhidas manualmente cinco a 8 dias após o estagio R8, quando 95% das vagens apresentavam coloração típica de vagem madura.

Os resultados obtidos mostram que o tratamento com Co e Mo via sementes promoveu aumento significativo de 7% na produtividade de grãos em relação as sementes não tratadas. Já para a aplicação foliar, com o produto comercial Comol (Co + Mo), o incremento, também significativo, foi de 20%, em relação a testemunha sem aplicação.

Esses resultados permitem indicar o Mo e Co para a soja, por meio do tratamento de sementes, que é o método mais comum para correção de deficiência desses nutrientes, tendo em vista que, com essa prática, se consegue distribuir o Mo e Co de maneira mais uniforme do que a aplicação no solo e, conseqüentemente, favorecem o perfeito estabelecimento da associação Bradyrhizobium x soja. Em contrapartida, nos solos com alto teor de matéria orgânica, em solos cuja acidez foi corrigida e em solos com alta fertilidade, a expectativa de resposta ao molibdênio é menor.

Pela análise dos resultados, observa-se que o tratamento de sementes com Mo e Co melhoraram significativamente a qualidade das sementes em relação ao   teor de proteínas.

Os autores concluem que a aplicação de molibdênio e de cobalto via sementes e a adubação foliar com Comol (Co + Mo) no estádio V4 promoveram incrementos significativos no rendimento de grãos. O tratamento das sementes com Mo e Co aumentou o teor de proteínas das sementes de soja. A aplicação de Bas-Citrus + Fetrilon no estádio V4 aumentou a altura e o grau de acamamento das plantas. As demais características agronômicas das plantas praticamente não foram influenciadas pela aplicação de molibdênio e cobalto nas sementes e adubação foliar em soja.

Testando diferentes combinações de fontes de Co e Mo com diferentes épocas de aplicação: experimento 2- Comiran et al. (2020)

Cobalto e molibdênio

Os resultados obtidos por Comiran et al. (2020) foram diferentes daqueles obtidos por Meschede et. al (2004).

O experimento 2 foi realizado no município de Vera, Mato Grosso. Os tratamentos foram combinações de 5 doses do produto comercial CoMo10® (0; 50; 100; 150 e 300 ml/ ha) aplicados em dois períodos distintos do desenvolvimento das plantas de soja (V5, quinto nó e quarta flor trifoliada e; R2, pleno florescimento), totalizando dez tratamentos.

Os tratos culturais como data da semeadura, controle de plantas daninhas, adubação e data da colheita foram os mesmos para todos os tratamentos  A aplicação dos tratamentos foi realizada com um pulverizador pressurizado a base de CO2 de 5 bicos, com 0,5 m de espaçamento entre si, e o volume de calda utilizado foi de 150 L ha-1 .

Os autores observaram que apenas os fatores números de vagens e grãos por vagens foram significativamente alterados pelos tratamentos realizados. Os fatores massa seca e número de nódulos, massa de 100 grãos e produtividade não foram significativamente alterados.

Os resultados dos experimentos 1 e 2 são divergentes, mas Comiran et al. (2020) citam alguns pontos que explicam as diferenças entre as duas pesquisas. Os próximos 4 parágrafos fazem parte da discussão dos autores sobre seus resultados:

A disponibilidade de molibdênio é afetada pela quantidade de matéria orgânica, teor de fósforo disponível e a textura do solo (Broch, 2010). Possivelmente os a ausência de significância para as variáveis massa seca de nódulos, número de nódulos, massa de cem grãos e produtividade pode ter ocorrido devido à alta concentração de nutrientes e alto teor de matéria orgânica do solo, que supriu a quantidade requerida de molibdênio e cobalto para a soja.

De acordo com Borkert (2002), muitos autores verificaram ausência de resposta com a aplicação de micronutrientes na maioria das situações. As justificativas para estes resultados são a capacidade adequada de suprimento pelos solos, em função de sua origem e a presença de contaminantes contendo micronutrientes em corretivos e fertilizantes (Bissani & Gianello, 2003).

Por fim, Lantmann (2002) ressaltam que o molibdênio e o cobalto são micronutrientes essenciais para a cultura da soja. Mas a decisão quanto a sua aplicação como fertilizante, deve ser criteriosa. Quantidade, forma de aplicação via foliar ou semente, condições do solo e fontes dos nutrientes são fatores que devem ser considerados e aliados a um diagnóstico da real necessidade de aplicação, em função de análise química de solo e folha e histórico de área com observações sobre sintomas de deficiência desses nutrientes.

A importância da realização de análise de nutrientes para sistemas agrícolas

Cobalto e molibdênio

A importância da realização de análise de nutrientes para sistemas agrícolas

Nesta série de matérias sobre a importância do Nitrogênio para o cultivo da soja vimos em detalhes os principais eventos da Fixação Biológica de Nitrogênio, a importância das baterias fixadoras deste nutriente a partir de sua fonte atmosférica e o papel central dos micronutrientes Co e Mo para o funcionamento desta maquinaria que fornece todo o N exigido pelas plantas de soja em condições de solos tropicais.

Os experimentos apresentados nesta matéria mostram que o manejo do Co e Mo apresentam alta importância e também alta complexidade.

As indicações técnicas atuais desses nutrientes são para aplicação de 2 a 3g de Co e 12 a 30g ha-1 de Mo via semente ou em pulverização foliar, nos estádios de desenvolvimento V3 a V5.

Plantas de soja cultivadas em solos ácidos, como os do Cerrado brasileiro, geralmente apresentam deficiência de Co e Mo pois eles se ligam aos óxidos de ferro e alumínio. Porém o Sistema de Plantio Direto possibilita o aporte constante de matéria orgânica na superfície do solo, contribuindo assim para diversos parâmetros da fertilidade dos solos, entre eles o aumento do fornecimento natural de Co e Mo, que pode substituir a necessidade de adubação foliar ou via semente.

Para esta decisão de impacto direto nos custos de produção, é essencial fazer o acompanhamento constante do estado nutricional dos solos, para quantificação dos teores de macro e micronutrientes. A série de analises permite ao empresário agrícola acompanhar os ganhos obtidos com todas as técnicas de manejo e também o permite calcular o quanto está economizando com adubos devido ao incremento natural de nutrientes resultado da ação de microrganismos na cobertura vegetal protegendo o solo da área agrícola.

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