Controle de Nematoides das Galhas na Soja com Potássio

No ano de 2020, o Brasil se tornou o maior produtor mundial de soja ultrapassando os EUA, com produção estimada de 124,845 milhões de toneladas, segundo o levantamento elaborado pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB, 2020).

As condições agronômicas, a extensão territorial, as técnicas e tecnologias de cultivo são os grandes motores do agronegócio brasileiro. Pesquisadores de diversas áreas de interesse agronômico estão constantemente testando novas soluções para problemas de cultivo e o resultado é o progresso constante do nosso agronegócio. E os problemas não são poucos.

As principais fontes de riscos para nossos cultivos vêm das condições ambientais, como falta ou excesso de chuvas, temperaturas ou índice de umidade elevadas, ou baixas em demasia. Em seguida vem o ataque de pragas e doenças.

Dentre a grande lista de organismos que atacam os cultivos, os nematoides das galhas possuem posição de destaque devido às perdas causadas por estes organismos, à extensão da sua presença no território nacional, e também pelo controle dificultado em relação a outras pragas agrícolas.

Dentre as regiões que sofrem com os danos elevados, a região Centro-Oeste é uma das que têm apresentado grandes dificuldades, uma vez que, se predomina o cerrado brasileiro, onde as condições de clima tropical e solo maioritariamente ácido são favoráveis a essa espécie (Dias et al., 2010).

Nesta matéria, abordaremos uma alternativa de controle de nematoides das galhas via aplicação de potássio, observando seu resultado na contagem de nematoides das galhas da espécie Pratylenchus brachyurus em condições de laboratório.

Prejuízos na soja causados pelos nematóides

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Nematóides são vermes minúsculos, na maioria das vezes não visíveis a olho nu. Geralmente, apresentam pouca capacidade de movimentação própria, mas são transportados com frequência entre diferentes áreas pelos pneus de carros e tratores, pela sola dos sapatos, água da irrigação, ventos fortes, ou qualquer outro tipo de movimentação do solo.

Existem diversas espécies de nematóides que atacam plantas, com hábitos de alimentação e formas de reprodução distintos.

Estes organismos atacam o sistema radicular das plantas e no local atacado pode ocorrer a formação de galhas ou o escurecimento do tecido, causado pelo ataque de patógenos nas lesões radiculares causadas pelo seu ataque. Sua relação com o sistema radicular das plantas prejudica o transporte de água e nutrientes.

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Os sintomas clássicos de ataques de nematóides são: prejuízo no desenvolvimento da parte área da planta e amarelecimento, geralmente ocorrendo em reboleiras, pequenas áreas afetadas dentro de um talhão. A tendência é que essas reboleiras aumentem com o passar das máquinas agrícolas, que acabam transportando os nematóides para as regiões ainda não atacadas.

Conte com as análises de nutriente e nematóides da Solum para o controle de Prathylenchus brachyurus

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Ainda que não ocorram sintomas visuais nas plantas, perdas podem estar ocorrendo silenciosamente. A literatura científica cita perdas de cerca de 30% ainda que, as plantas apresentem aspecto saudável na presença destes organismos.

O conhecimento do status de infestação por nematóides é realizado através da coleta de amostras de solo e raízes das plantas e análise em laboratório.

Aqui na Solum, você encontra uma estrutura de ponta para detecção e quantificação da infestação de nematóides em sua área agrícola. Nosso laboratório é registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Além de contar com uma equipe de especialista em análises precisas, que vão desde análise de nematóides até a qualidade de adubos e sementes, necessidade de calagem, análise de nutrientes do solo e foliar, análises-chave para estabelecimento de áreas de alta produtividade.

Técnicas de controle de Pratylenchus brachyurus

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As espécies de nematóides mais importantes para a agricultura compeendem nos gêneros: Meloidogyne, Heterodera, Globodera, Pratylenchus, Rodopholus, Rotylenchulus, Nacobbus e Tylenchulus.

Pratylenchus brachyurus é uma espécie de nematóide que consegue se alimentar de diversas culturas agrícolas, como algodão, batata, cana-de-açúcar, feijão, fumo, milho, morango, soja, tomate, etc.

Assim como no caso dos demais nematóides, o controle químico tem sua eficiência reduzida. O fato de este ser um nematóide com diversos hospedeiros, a rotação de culturas também não é uma forma totalmente eficiente, pois a escolha das espécies do sistema de rotação é dificultada. Estudos apontam que a adubação com potássio pode ser uma excelente alternativa para o controle desta espécie.

Espécies de crotalária, uma planta leguminosa utilizada como adubação verde, mostram-se uma boa alternativa de controle de Brachyurus, pois funcionam como armadilhas, permitindo a penetração dos nematóides em suas raízes enquanto estes estão na sua fase jovem e impedindo a continuidade do desenvolvimento até a fase adulta. As espécies Crotalaria spectabilis Roth, C. breviflora DC. e C. ochroleuca G. Don são as melhores espécies para a redução da população de P. brachyurus.

Existe uma grande gama de organismos eficientes no controle biológico dos nematóides que atacam plantas, dentre eles, fungos, bactérias, nematóides predadores, ácaros e outros.

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é, sem dúvidas, a ferramenta mais eficiente contra os nematóides. É necessária a integração técnica de diversos métodos de controle para ser atingido um nível populacional de nematóides que não cause danos econômicos. O uso integrado de agentes químicos e biológicos de controle potencializa o sucesso em relação ao uso isolado de algumas destas alternativas.

O MIP preconiza o uso de diversas outras técnicas para reduzir a população de diversas pragas. Por exemplo, muitas práticas de manejo cultural influenciam diretamente na população de nematóides, como a adoção do Sistema de Plantio Direto, que dificulta a dispersão dos nematóides, já que a semeadura é realizada sob a palhada, não havendo contato do maquinário com o solo. Além disso, a utilização das crotalárias como componente da rotação de culturas também traz impactos positivos diretos no controle destas pragas.

Outra alternativa altamente compatível com a filosofia do MIP é o uso da adubação potássica para controlar estes organismos. Este resultado foi observado em diversos estudos, em diferentes condições e os benefícios alcançados são de grande interesse para o empresário agrícola.

Potássio como método de controle de nematóides na soja

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Da mesma forma que ocorre para os animais, a nutrição interfere diretamente na capacidade das plantas de resistir ao ataque de organismos maléficos.

Vale ressaltar, que tanto para altas produtividades quanto na ativação da defesa natural da planta, o sucesso é obtido com o equilíbrio adequado entre as quantidades de nutrientes. Tanto o excesso quanto a deficiência de um determinado elemento prejudica o desempenho da planta em sua totalidade.

Cada um dos macro e micronutrientes apresentam suas funções no metabolismo da planta. O potássio está diretamente relacionado com os processos de ativação enzimática, ativador de mais de cinquenta enzimas, regulação da abertura e fechamento dos estômatos e o controle osmótico dos tecidos.

Quando presente em equilíbrio nutricional, proporciona aumento da nodulação, assim como dos componentes de produção e do teor de óleo. Além de prevenir a formação de grãos enrugados e aumenta a tolerância a estresses causados por organismos danosos ou condições ambientais adversas.

Estes efeitos agronômicos positivos ocorrem devido ao aumento da resistência à penetração e desenvolvimento de muitos patógenos, aumentando a espessura da parede celular em células da epiderme. Promovendo dessa forma rigidez da estrutura dos tecidos, além da rápida recuperação dos tecidos injuriados.

Sintomas de deficiência de potássio na soja e modos de aplicação

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Os sintomas da deficiência deste nutriente são: clorose internerval, seguida de necrose nos bordos e ápice de folhas velhas.

Os impactos negativos da deficiência de potássio no produto final são: redução do rendimento, grãos pequenos, enrugados e deformados com baixo vigor e baixo poder germinativo, a maturação da planta toda é atrasada. Além de poder causar, a haste verde, retenção foliar e vagens chochas.

A adubação potássica pode ser realizada no sulco de semeadura ou a lanço. A prática da aplicação em taxa variável, conforme preconiza a Agricultura de Precisão é compatível com esta necessidade, reduzindo os custos e garantido a aplicação na quantidade ideal no local correto, tanto para aplicações a lanço quando mecanizadas.

A aplicação a lanço é recomendada antes da semeadura, devido ao menor rendimento desta técnica, é preferível que assim seja feita em solos de textura argilosa, com teores médios e altos deste nutriente.

A forma de aplicação mais utilizada em grandes culturas é no sulco de semeadura. Existem algumas recomendações sobre a utilização deste fertilizante nesta forma, devido ao alto índice salino que as formulações químicas de adubos apresentam:

Não aplicar doses superiores a 80 kg ha-1 de 13 K₂O no sulco de semeadura, visando reduzir os riscos do efeito salino sobre a germinação das sementes, principalmente em condições de estresse hídrico (OLIVEIRA et al., 2008).

Daremos uma olhada em um experimento científico que comparou o desenvolvimento e a produtividade de plantas sob a infestação de P. brachyurus. Quando recebem ou não a aplicação de potássio, para compreender a importância deste método de controle, e também a importância da realização tanto da análise de nutrientes, quanto da análise de nematóides para o aumento da margem de lucratividade da empresa agrícola.

Efeitos do Potássio em Pratylenchus brachyurus

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Diversas observações foram feitas em experimentos científicos avaliando o efeito da adubação potássica sob populações de P. brachyurus
Alguns deles são:

  • Redução do número de nematóides nas raízes;
  • Aumento  do nível de tolerância das plantas a altos níveis de população de nematóides;
  • Aumento da velocidade da recuperação das lesões causadas por nematóides;
  • Redução da formação de fêmeas e de ovos por fêmea quando aplicados em doses maiores do que o indicado pela análise de nutrientes.

Experimento

EFEITOS DE DOSES DE POTÁSSIO SOBRE PRATYLENCHUS BRACHYURUS EM SOJA. F. Rotondano; 2021.

 

O teste foi realizado no Instituto Federal Goiano, Campus Rio Verde (Rotondano, 2021), conduzido entre setembro e dezembro de 2020, na casa de vegetação localizada no Centro de Inovação e Tecnologia Gapes (CIT-Gapes), na Fazenda São Tomaz, em Rio Verde, Goiás.

Foram utilizados para o experimento 36 vasos plásticos de 1,8 litros. O solo foi coletado no Polo de Inovação, do Instituto Federal Goiano, Rodovia GO-174, Km 268. Os vasos foram preenchidos com o solo coletado, sendo ele de textura argilosa e com baixo teor de K. O solo foi previamente esterilizado em autoclave a 120 °C por 20 minutos. A adubação potássica foi realizada na forma de KCl (60% de K₂O) conforme a análise química do solo coletado (Figura 1), atendendo as recomendações da Fundação MT (2017) de K₂O para a cultura da soja. O cálculo da adubação potássica foi feita com base na população de 300 mil plantas (população recomendada de campo), e convertida para casa de vegetação, utilizando cinco plantas por vaso.

Os tratamentos de adubação potássica foram:

  • (T0) testemunha sem aplicação de K;
  • (T1) dose recomendada aplicada em dose única — 130 kg.ha-1 de K₂O no pré-plantio;
  • (T2) metade da dose recomendada no pré-plantio — 65 kg.ha-1 de K₂O no pré-plantio;
  • (T3) dobro da dose recomendada — 260 kg.ha-1 de K₂O no pré-plantio no pré-plantio.

Foi utilizada a cultivar de soja NS7227RR (suscetível a P. brachyurus), sob registro da Nidera Sementes. Foram semeadas cinco sementes por vaso. Dez dias após a semeadura, procedeu-se o desbaste mantendo-se três plantas por vaso. Realizou-se a infestação artificial do solo dez dias após o plantio, depositando-se 3 ml de suspensão por inoculação artificial de P. brachyurus (400 nematoides por vaso), em 16 orifícios de 2 cm de profundidade feitos ao lado das plântulas. A suspensão foi obtida raízes de plantas de milho, de área naturalmente infestada por Pratylenchus brachyurus, localizada na Fazenda Segredo, município de Montividiu — GO. Aos 53 dias após a infestação do solo com os fitonematóides, as plantas estavam na fase R4 (desenvolvimento de vagens). Avaliou-se o número de juvenis, adultos e ovos de P. brachyurus / grama de raiz.

Resultados:

Na variável número de P. brachyurus por dez gramas de raízes foi observada diferença significativa entre os tratamentos, no teste executado, conforme as condições experimentais do presente trabalho. Observou-se maior densidade populacional do nematóide no tratamento sem a aplicação do K (T0) (Figura 1).

Não houve diferença significativa entre as doses de K em que se observou a redução do número do nematóide. Embora não se observou diferença significativa entre as doses de K, constatou-se que no tratamento com a metade da dose recomendada (T2) houve tendência de menor número do nematóide.

Fontes:

CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento). Acompanhamento da safra Brasileira de grãos. v. 7 – Safra 2019/20 – n. 3 – Terceiro levantamento, dezembro de 2019. Disponível em: https://www.conab.gov.br/info-agro/safras/graos. Acesso em 07 de janeiro de 2021.

https://www.agrolink.com.br/problemas/nematoide-das-lesoes_525.html

(Rotondano, 2021) https://repositorio.ifgoiano.edu.br/bitstream/prefix/1539/3/tcc_%20Filipe%20Oliveira%20Ferro%20Rotondano.pdf

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