Para as ciências agrárias é fundamental identificar as diferenças entre os solos, pois uma mesma técnica de manejo pode levar a resultados completamente diferentes conforme suas propriedades físicas e químicas.

A mesma técnica de manejo aplicada em solos profundamente distintos pode gerar uma condição de ótimo desenvolvimento para as plantas em um horizonte de vários anos ou também provocar um elevado nível de degradação, inviabilizando o uso econômico de determinada área.

Para atender essas distinções, as ciências agrárias se baseiam em alguns sistemas de classificação de solo, que organizam seu perfil de acordo com sua origem e propriedades físicas e químicas.

Como são classificados os solos

Solos Argilosos

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Essas três fontes de variação (origem, propriedades físicas e propriedades químicas) resultam na extensa gama de tipos de solo, com informações muito detalhadas. Quanto maior for a especialização do responsável pelo manejo dos solos de uma propriedade, fará maior sentido utilizar classificações muito detalhadas, visto que, o profissional terá ferramentas técnicas para atender as especificações.

A maior parte dos técnicos atuantes resumem essa complexidade em alguns grupos como:

Origem: Latossolo e Argissolo

Propriedades físicas: Solos de textura arenosa, textura media ou textura argilosa

Propriedades químicas: Solo muito acidificado, solo pouco acidificado, solo pobre em matéria orgânica ou solo rico em matéria orgânica.

Cerca de 70 a 80% dos solos do Brasil se enquadram em diferentes combinações destas propriedades citadas acima, resultando em algumas ideias generalizadas de como manejá-los, facilitando as tomadas de decisões.

Determinar a textura dos solos é fundamental

Solos Argilosos

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Uma grande e importante diferenciação entre os solos neste sistema simplificado é em relação à sua textura. O termo textura do solo remete à sua composição física, que possui três componentes: as partículas de solo de tamanho areia, tamanho silte e tamanho argila. O tamanho das partículas diminui no sentido areia-argila, sendo que partículas de argila possuem tamanho inferior a 2 micrômetros de diâmetro.

A definição das propriedades físicas e químicas do solo, como determinação de seu caráter argiloso, por exemplo, é feita em laboratórios de análise de solos. Um solo é enquadrado como argiloso quando pelo menos 30% de sua composição física corresponde à fração argila.

Como veremos no decorrer desta matéria, os solos argilosos são potencialmente mais aptos à atividade agrícola do que solos mais arenosos. Isso ocorre principalmente pela sua grande capacidade de armazenar os minerais que servem como macro e micronutrientes para as plantas.

Porém, as mesmas características que os tornam mais aptos à nutrição das plantas, também geram algumas fragilidades na manutenção de seu bom desempenho, principalmente se considerarmos um horizonte de uso mais extenso, como a partir de cinco anos.

Dentre essas fragilidades temos a alta sensibilidade aos diferentes manejos, que impacta em suas características químicas e físicas, especificamente relacionas à correção, adubação e manejo mecânico, com máquinas agrícolas.

A dinâmica química dos solos argilosos

Solos Argilosos

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Quanto menor o diâmetro da partícula, mais cargas negativas expostas para reagir com os cátions. Ou seja, a fração argila possui uma Capacidade de Troca Catiônica (armazenar nutrientes da adubação e fornece-los para as plantas) muito maior do que a fração areia.

A Capacidade de Troca Catiônica total mede o poder do solo (que possui cargas negativas) em armazenar cátions (forma como os nutrientes de plantas se apresentam). O valor da CTC pode variar muito conforme o tipo de solo, afetado principalmente pelo tamanho predominante de suas partículas. As partículas são classificadas em três grupos, de acordo com seu tamanho: areia, silte e argila. A fração areia corresponde às maiores partículas, silte são de tamanho intermediário e argila a menor fração do solo.

Isto ocorre, pois, até chegar ao tamanho de argila a partícula de solo foi desgastada por diversos fenômenos ambientais. Por isso ela está mais desgastada por reações químicas, físicas e biológicas tendo muitos pontos de ruptura na sua estrutura física, expondo um excesso de terminações com cargas elétricas negativas, responsáveis por reter os nutrientes.

Podemos comparar essa dinâmica de retenção de nutrientes do solo com uma situação imaginária em que três guarda-roupas têm maior ou menor capacidade de armazenar roupas conforme a quantidade de cabides que cada um possui em seu interior. Nesta situação os guarda-roupas funcionam exatamente como uma partícula de solo: areia, silte ou argila. Um guarda-roupas correspondente à partícula de argila teria muito mais cabides do que um guarda-roupas correspondente à partícula de areia.

Manejo químico de solos argilosos

No entanto, as mesmas cargas negativas do solo que retêm nutrientes, também retêm moléculas que causam toxicidade aos cultivos, como o alumínio e o hidrogênio. Da mesma forma que os solos mais argilosos tem capacidade de reter excesso de nutrientes, eles também podem reter excesso destes compostos tóxicos.

A principal implicação disto para o manejo químico de solos argilosos é que elevar o pH até a faixa ideal consiste um processo muito mais desafiador do que em solos de textura média ou argilosos.

Portanto, torna-se essencial a realização de análises das propriedades químicas do solo antes e após a realização da correção de solos argilosos. Pois, é comum ter de adotar procedimentos específicos de aplicação do calcário, como o parcelamento da quantidade total necessária, a exigência de parâmetros qualitativos do material utilizado ou mesmo as mudanças no método de recomendação da correção.

A dinâmica das propriedades físicas de solos argilosos

Uma das principais consequências do manejo inadequado do solo é a sua compactação, que leva a perda da sustentabilidade agrícola.

Uma das principais causas da degradação dos solos é a entrada de máquinas agrícolas em condições inadequadas de umidade, prejudicando indicadores das propriedades físicas do solo como, a densidade e porosidade, em diferentes níveis de profundidade.

A compactação do solo depende de fatores como: textura, conteúdo da água e pressão aplicada, e o tipo de manejo. As propriedades mecânicas do solo permitem uma estimativa da capacidade de suporte de carga dos solos.

Solos classificados como argilosos possuem propensão a sofrer compactação muito maior do que solos arenosos ou de textura média. Esse efeito se dá pelo tamanho inferior das partículas que o compõe em relação aos demais solos.

Quanto maiores as partículas do solo, mais difícil será comprimí-las. Visto que, existe pouca capacidade em preencher os espaços vazios entre elas. O contrário ocorre com os solos argilosos, cujas partículas muito pequenas possuem grande facilidade em se acomodarem com maior proximidade, sendo muito mais sensíveis à má distribuição do peso da máquina agrícola sob seus pneus.

Manejo mecânico de solos argilosos

Solos Argilosos

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No manejo de solos mais argilosos é fundamental atenção à largura dos pneus das máquinas agrícolas mais pesadas. Dando preferência à pneus mais largos, e até mesmo a adição de mais pneus, visando distribuir o peso da máquina em uma área maior de contato com o solo, reduzindo sua compactação.

Outro ponto fundamental para o manejo mecânico de solos argilosos é a atenção à umidade do solo no momento da entrada das máquinas agrícolas.

Existe um ponto ideal de umidade em que as partículas do solo conseguem resistir à pressão exercida, chamado Ponto de Friabilidade do Solo. Estando mais seco ou mais úmido do que este ponto, o solo sofre mais com a compactação. Ele é caracterizado pela sua capacidade de formar um agregado, quando é tomada uma porção de solo e comprimido com as mãos, sem haver escorrimento de água ou ficar com muito solo grudado nas mãos.

O momento ideal para executar operações mecanizadas: depende da suscetibilidade à compactação, que varia de acordo com propriedades físico-mecânicas do solo. Algumas são obtidas em laboratório a partir da elaboração da curva de compressão, representada graficamente pela relação entre o logaritmo da pressão aplicada e a densidade do solo ou índice de vazios.

Uso racional de medidas preditivas e preventivas minimiza problemas de degradação de solos agrícolas.

É essencial, no processo preventivo da degradação das áreas agrícolas, caracterizar o processo de compressão do solo pelo índice de compressão e pela pressão de preconsolidação conforme o manejo e conteúdo de água no solo. A partir da curva de compressão é possível determinar a densidade do solo conforme a pressão aplicada e o volume total de poros correspondente. Dessa forma, permitindo determinar quais níveis de pressões podem reduzir a macroporosidade, que impactam diretamente o crescimento radicular.

Em condições ideais de manejo, as deformações causadas pela carga de peso das máquinas agrícolas são consideradas elásticas e recuperáveis. Não causam alterações permanentes na estrutura do solo.

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