O café é produzido por mais de 60 países, consumido diariamente pela população, sendo que o número de consumidores se encontra cada vez maior pelo mundo. O Brasil é um dos maiores produtores de café, sendo responsável por um terço (⅓) da produção mundial no mercado global, em 2020 o país produziu 63,1 milhões de sacas do grão, o equivalente a 3,7 toneladas. O Brasil é o segundo maior consumidor do grão, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

Dentre os problemas enfrentados na produção de café, o bicho-mineiro (Leucoptera coffeella) é um dos mais graves, no país é possível encontrar essa praga em todas regiões que cultivam café, sendo ela responsável por causar perdas de 30 a 70% na produção, reduzindo a produtividade, assim como a longevidade das plantas, o que causa impactos negativos na cadeia produtiva do café.

A lagarta do bicho-mineiro se alimenta dos tecidos das folhas, o que diminui a área fotossintética, afetando a produtividade devido a necessidade das plantas investirem mais energia na emissão de folhas novas, quando ocorre altas infestações provocam a desfolha nas plantas e quando isso ocorre perto da floração causa mais danos a produção devido ao baixo “vingamento” e rendimento dos frutos, o que pode prejudicar a produção na safra seguinte.

O que é o bicho-mineiro?

É a lagarta de uma pequena mariposa branca que ataca os pés de café, que atinge as plantações de café da África, Ásia, América Central, ilhas do Caribe e a América do Sul, no país ela foi detectada no século 19.

Fonte: Repositório UFLA

Mariposa(adulto), bicho-mineiro do cafeeiro Leucoptera cafeella

Geralmente o inseto demora 22 dias para chegar na fase adulta, quando adulto o bicho-mineiro tem hábito noturno e durante o dia o inseto abriga-se sob as folhas de café, o acasalamento e a postura ocorrem preferencialmente a noite, onde os ovos são depositados na face superior das folhas de café, que é sua única fonte de alimento.

A fase do ovo dura cerca de cinco dias, temos como única fase praga o período em que os insetos se encontram como lagartas, não há relatos de insetos adultos se alimentando nos cafezais.

A fase larval do inseto dura cerca de doze dias e quando nascem, as lagartas entram no interior das folhas, onde se alimentam do tecido que existe entre as epidermes da folha, que são as faces superior e inferior, elas preferem folhas mais novas e quando se alimentam deixam um espaço oco dentro da folha, que forma pequenas câmaras quebradiças que são as minas, o que originou o nome comum da praga: bicho-mineiro do cafeeiro.

As minas criadas pelos insetos secam e adquirem uma cor marrom que quebram ao ser apertadas, o que diminui a superfície da folha, diminuindo também a taxa de fotossíntese das plantas e consequentemente a queda da produtividade.

Fonte: ReHragro

Fase larval(lagarta), bicho-mineiro do cafeeiro Leucoptera cafeella

 Quais danos eles causam?

Os danos causados por esta praga incluem a desfolha, que sem tratamentos culturais adequados pode levar a morte da planta. Cafezais com intensas desfolhas podem levar até dois anos para se recuperar.

A queda das folhas que foram minadas se inicia no topo das plantas durante a época seca do ano. Dependendo da intensidade da infestação ocorre o desfolhamento durante o período em que a planta começa a florescer o que reduz a produção do café na safra seguinte.

A queda na produtividade pode variar de acordo com a intensidade e duração da infestação, idade do cafezal e a época de ocorrência. O nível da infestação pode afetar a longevidade do cafezal que podem demorar até dois anos para se recuperar, já que a desfolha acontece na seca por essa praga, sendo esse um período critico para a planta.

Fonte: Repositório UFLA

Injurias causadas por bicho-mineiro do cafeeiro Leucoptera cafeella, fase praga.

Quando o bicho-mineiro ataca?

A presença do inseto está relacionada a vários fatores:

  • Condições climáticas: temperaturas elevadas e principalmente a ausência de chuvas;
  • Condições do cafezal: áreas mais arejadas tem mais chances de serem atacadas;
  • Presença ou ausência de inimigos naturais: parasitoides, predadores e entomopatógenos (fungos e bactérias) que mantêm a praga em equilíbrio.

Temos como exemplo o Estado do Mato Grosso do Sul onde os meses de janeiro a junho são considerados como o de maior evolução do bicho-mineiro e nos meses de fevereiro, março e abril  são considerados como  período crítico, já no Distrito Federal os meses com maior infestação do bicho-mineiro ocorrem entre os meses de junho a outubro, época de menor chuva na região.

Controle e manejo do bicho-mineiro do café

Existem várias formas de manejo e controle do bicho-mineiro, algumas delas são:

Controle químico

É necessário principalmente em áreas com alta incidência, no entanto deve-se ter cautela, pois, o uso intensivo de inseticidas, principalmente de forma  continua do mesmo princípio ativo pode selecionar populações mais resistentes;

Semioquímicos

São substancias químicas naturais que tem a função de transmitir mensagens entre os seres vivos, como os feromônios. Os semioquímicos podem ser usados para manipular ou interromper os comportamentos dos insetos, com o objetivo de reduzir os níveis de população do bicho-mineiro e assim diminuir os danos causados.

Monitoramento

É uma estratégia que captura os insetos e informa o produtor sobre o nível de infestação na plantação, indicando se há necessidade ou não de aplicação de inseticida. O monitoramento é importante pois otimiza as operações de controle da praga, reduzindo os custos com defensivos, mão de obra e desgastes de máquinas e implementos.

Controle biológico

O uso de inimigos naturais do bicho-mineiro como parasitoides e predadores, por exemplo vespas e formigas, ajuda na diversificação do ambiente agrícola, diminuindo o  uso de agroquímicos, tendo como objetivo o aumento da população de inimigos naturais na cultura, controlando dessa forma pragas chaves para a cultura do café, incluindo o bicho-mineiro.

Vespa predadora do bicho-mineiro do cafeeiro em folhas minada

O controle preventivo do bicho-mineiro é uma atividade essencial para manter o inseto longe do cafezal, a adoção de um conjunto de medidas possibilita maior eficiência, como por exemplo a correta identificação do bicho-mineiro na lavoura, monitorando se há presença de ovos, minas ativas e/ou pequenas mariposas prateadas que voam ao tocar nas folhas, além de fazer inspeções constantes dos cafezais nos períodos mais críticas, com baixa umidade e alta temperatura.

O bicho-mineiro causa danos nas plantas de café e podem gerar grandes prejuízos  na lavoura quando as infestações não são controladas. O monitoramento do cafezal é muito importante e deve ser uma atividade rotineira, dando mais atenção nas áreas recém plantadas e com até três anos de idade, áreas que estão em locais mais altos e com temperaturas elevadas e mais secas também são mais sujeitas a infestação do bicho-mineiro.

Fontes: 

https://www.bibliotecaagptea.org.br/agricultura/defesa/artigos/BICHO-MINEIRO%20NO%20CAFE.pdf

https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/221918/1/documentos-372-fin.pdf

http://www2.uesb.br/ppg/ppgagronomia/wp-content/uploads/2020/10/tiago_pinho.pdf

https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=&ved=2ahUKEwjg5u6WrNf0AhVlGLkGHQUVD3cQFnoECAMQAw&url=https%3A%2F%2Frevista.uemg.br%2Findex.php%2Fpraxys%2Farticle%2Fdownload%2F2661%2F1500%2F7970%23%3A~%3Atext%3DResumo%253A%2520O%2520Bicho%252Dmineiro%2520(%2Cem%2520altas%2520infesta%25C3%25A7%25C3%25B5es%252C%2520provocam%2520desfolhas.&usg=AOvVaw0xopv5vU6sHNKYCEHAUQa8

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