Texto baseado na apresentação do Professor Godofredo César Vitti no ´Simpósio de Boro realizado em 28/07/2020

A provocação feita pelo Professor Vitti ao se referir ao boro como o quarto macronutiente  das plantas no ´Simpósio de Boro’ realizado mês passado pela Agroadvance, serviu para chamar a atenção para os grandes níveis de repostas das culturas à adubação com esse nutriente. Talvez essa classificação dos nutrientes quanto à quantidade absorvida pelas plantas devesse ser repensada, uma vez que o termo “micro” pode dar a falsa impressão de que são menos importantes para as plantas. A carência de qualquer nutriente causa prejuízo ao desenvolvimento das plantas, independentemente da quantidade demandada. No caso do boro, a situação se agrava ainda mais, principalmente quando falamos da agricultura brasileira, já que nossos solos são muito pobres neste nutriente.

Cerca de 80% dos solos brasileiros estão deficientes em boro. Quando comparamos os teores de boro nos solos brasileiros versus outros países, verifica-se a dimensão dessa diferença. Os níveis críticos desse nutriente são da ordem de 0,6 a 1 mg.dm-3, ou seja, cerca de 1,2 a 2 kg/ha são necessários para o bom desenvolvimento das culturas. Por essa razão, seu uso aumentou 10% na média dos últimos quatro anos.

Teores de B total e disponível de diferentes países.

Tabela de teores de B total e disponível de diferentes países
Fonte: Silvano, R. G. (2020). Adaptado.

A grande maioria do boro nas plantas (90%) se encontra na parede celular, exercendo função estrutural e fisiológica (pressão osmótica). O boro restante (10%), encontra-se nas membranas celulares e desempenha papel na divisão e alongamento celular. Sua mobilidade no floema é extremamente baixa, por isso quase não é remobilizado na planta. Esse conhecimento é fundamental para definirmos as estratégias de fornecimento de boro para as culturas.

Um bom manejo nutricional de boro deve levar em conta a correção do solo e adubações de forma a garantir o suprimento deste nutriente durante todas as fases da cultura. Devido à sua baixa mobilidade no floema, o fornecimento do boro via solo atenderia a essa necessidade. No entanto, há características que tornam o manejo nutricional com este nutriente uma missão um pouco mais complexa. Ocorre que o boro é assimilado pelas plantas na forma de ácido bórico. Uma exceção entre a maioria dos nutrientes que são absorvidos na forma iônica. A molécula do ácido bórico não tem carga e é altamente suscetível à lixiviação. Como cultivo dos cereais tem como premissa o plantio em épocas chuvosas, uma estratégia para disponibilizar este boro mais lentamente se faz necessário. Podemos lançar mão de fontes minerais tais como Ulexita e Oxisulfatos, que reagem no solo liberando ácido bórico mais lentamente na solução do solo, como representado na figura a seguir:

Ulexita: borato de cálcio e sódio (Na2O.2CaO.5B2O3.16H2O)

Na2O.2CaO.5B2O3.16H2O(s) + 6H20+ 2Na+(aq) + 2Ca2+(aq) + 10H3BO3 (aq) + 10H2O

porção de ácido borax
Fonte: Kamogawa, 2016. Adaptado.

Resultados médios de dois anos em trabalhos de Favarin e Marine (1999) na cultura da soja, mostraram ganhos de 14,4 sacos/ha com uso de fontes de média solubilidade, elevando os teores do solo em 0,12 mg.dm-3, alterando a classificação do teor deste nutriente de baixo para alto, principalmente nas camadas subsuperficiais (30-45 cm).

tabela de média de solubilidade
Fonte: Favarin; Marini, 1999. Adaptado.

Outras fontes de boro com essa característica e que podem ser utilizados na agricultura são: Bórax Pentahidratado, Bórax Anidro e Boro Silicatado na forma de FTE.

tabela de fontes de boros

Uma o boro presente na solução do solo, é absorvido de forma passiva pelas raízes das plantas, ou seja, se movimenta com o fluxo da água (97%). Essa característica permite outro tipo de aplicação, a pulverização em área total. Para isso é preciso atenção às fontes que tenham uma boa solubilidade, como o octaborato de sódio. Veja a seguir a solubilidade de diferentes fontes de boro em comparação com algumas fontes de potássio, nitrogênio e fósforo.

tabela de solubilidade em agua
Fonte: US Borax, 2016. Adaptado.

As três principais características que devem ser consideradas para a escolha do método de adubação e a fonte a ser utilizada se resumem em: concentração de boro, solubilidade e tempo de reação para se chegar a ácido bórico para diminuir a lixiviação. Por essa razão diversos profissionais vêm deixando de recomendar o ácido bórico. No entanto, apesar do nível de resposta do uso do ácido bórico ser menor, é preciso frisar que o uso do ácido bórico também traz ganhos de produtividade, como indica o trabalho a seguir realizado aplicando-se 2 kg.ha-1 de boro utilizando-se diferentes fontes:

grafico de produtividade
Fonte: Gapes, 2019. Adaptado.

Outra opção para complementar a nutrição do boro durante todo o ciclo da cultura é a adubação foliar. Sua vantagem é que o boro é fornecido diretamente no tecido dos órgãos que o irão absorver. Sua limitação é que, por não ser remobilizado para as folhas novas, deve ser reaplicado o maior número de vezes possível. No esquema apresentado pelo Professor Vitti podemos ver fontes para aplicação  fluída.

tabela de aplicação fluida

O conhecimento científico a respeito do manejo de boro nas culturas de interesse econômico é vasto e contundente, deixando claro que os benefícios do uso de boro são muito expressivos e devem ser considerados para buscarmos níveis de produtividade e rentabilidade mais altos.

Esperamos que tenha gostado do conteúdo desta matéria, que preparamos para você!

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