Tanto o rendimento do processo de industrialização quanto as características dos produtos fabricados a partir do algodão dependem da qualidade da fibra.

Plantar algodão buscando somente a quantidade imediata da produção em fios já não é suficiente, pois ela pode não estar adequada às necessidades da indústria.

Atingir a todos os mercados é inviável economicamente. Isso pois produzir para os mercados de maior consumo exige um planejamento agronômico que garanta competitividade. Uma alternativa interessante é buscar nichos específicos de demandas a serem atendidas.

O produtor de algodão deve saber qual mercado deseja atingir e quais são suas necessidades específicas para poder plantar sementes que gerem fibras que lhes sejam adequadas.

As análises de solo e análise foliar, principalmente quando associadas ao serviço de Nutrição de Precisão, auxiliam no monitoramento da fertilidade dos solos, garantindo o atendimento das demandas nutritivas das variedades de algodão escolhidas pelo produtor, de acordo com seu planejamento agronômico.

Um tecido jeans, um lençol de cama ou uma camisa fina requerem, cada qual, uma combinação característica de fibra, que pode variar em ordem de importância, dependendo do sistema de formação do fio utilizado.

Afinal, o algodão é uma commodity ou seu preço varia com sua qualidade?

Análise de Nutrientes na Cotonicultura

Esta é uma questão importante:

O algodão é uma commodity e é vendida de acordo com o tipo.

Os parâmetros considerados ideais para atribuir os valores das características intrínsecas das fibras de algodão são baseados na proporção dos títulos dos fios produzidos pela indústria têxtil.

Na indústria do algodão, o termo “título” é um parâmetro qualitativo que caracterizada o fio produzido industrialmente pela relação entre seu comprimento e peso. O título tanto serve para qualificar o fio quanto para determinar seu valor comercial.

O título do fio é elemento exerce maior influência no seu preço. Quanto mais fino possível for o fio, mantendo a resistência necessária para as etapas industriais, mais alto será seu valor de venda no mercado, pois a obtenção dessa qualidade exige maior emprego de tecnologia.

Para ilustrar a influência das características da fibra na tecnologia de produção do fio, busquemos o exemplo do Egito. A fibra de algodão egípcia é, com certeza, apreciada em todo mundo por suas características físicas: fibra longa (superior a 32,5 mm), fina e de aparência sedosa.

Quanto mais fino for o fio, mais alto será seu valor de mercado

Análise de Nutrientes na Cotonicultura

Em âmbito mundial, a participação de mercado das categorias de títulos médios a fino está aumentando, e o mercado para a qualidade grossa (coarse count) está em declínio. Setenta e cinco por cento do comércio mundial está agora nas categorias médias e resistentes do algodão herbáceo, totalizando 7 milhões de toneladas.

O mercado mais remunerador do algodão herbáceo que vem crescendo com rapidez é o das categorias mais resistentes e tipos mais finos de algodão, os quais são utilizados para a produção de fio penteado a partir da fiação por anéis para tecidos e malhas.

Aproximadamente 80% do que é produzido em campo abrange uma gama de títulos chamada de grosso/médio, 15% de títulos médio/fino e 5% de títulos finos. Um certo grau de variação nestas proporções pode ocorrer de acordo com a genética (variedade) adotada pelo produtor.

Os fios de títulos grossos e médios são direcionados para a fabricação de tecidos planos e tecidos pesados de malha, como os moletons, por exemplo.

Os fios de títulos médios são bastante utilizados em tecidos de malha leves, como camisetas e em tecidos planos para lençóis. Os fios considerados finos, em geral acima do título Ne 40, são utilizados em tecidos planos de alta sofisticação.

Quando outros fatores são iguais, o segmento de fiação pagará um preço maior pelo algodão que apresenta um fio mais resistente, mais fino e mais longo e que esteja completamente maduro, branco e brilhante.

Classificação da fibra de algodão.

Análise de Nutrientes na Cotonicultura

A classe de título dos fios é diretamente impactada pela qualidade da fibra, que por sua vez é diretamente impactada pelas práticas agronômicas. As principais práticas agronômicas que impactam na qualidade das fibras são relacionadas a fertilidade do solo, irrigação e aspectos fitossanitários.

A análise de solo é a primeira ferramenta que o produtor deve contar para garantir o recebimento do melhor preço pela sua produção.

Cerca de 97% da produção mundial de algodão é de fibras curtas e médias. Os outros 3% – compostos por fibras longas e extralongas – são fabricados no Egito, nos Estados Unidos e no Peru. Essas variedades são conhecidas como Giza (egípcia), tipo mais branco, brilhante e resistente, e Pima (americana e peruana), algodão que tem a fibra mais fina e longa do mundo. É macio, brilhante, não forma bolinhas e sua cor natural é “branco cremoso”.

A classificação da fibra é feita por um equipamento chamado HVI (High Volume Instrument). O resultado desta análise é importante tanto para o mercado interno quanto o externo.

As amostras são analisadas em ambiente climatizado, com temperatura e umidade controladas (20°C ±2 e umidade 65% ±2).

Resistência

Capacidade da fibra de suportar uma carga até romper-se. É expressa em g/tex (universal) e g/tex (Brasil), e o padrão da fibra deve ficar entre 28 e 29 mm, com uma resistência mínima de 26 g/tex.

Comprimento (UHM)

É determinado eletronicamente e se considera o comprimento médio da metade mais longa do feixe de fibras em 32 subdivisões de polegada.

Uniformidade do comprimento (%)

Relação entre o comprimento médio e o comprimento médio da metade mais longa do feixe de fibras. A referência de qualidade mínima é de 83% de uniformidade.

Índice ou conteúdo de fibras curtas (%)

Frequência expressa em função do peso ou da quantidade de fibras com comprimento inferior a 12,7 mm. Uma amostra é considerada de boa qualidade quando o algodão contiver no máximo 7% de fibras curtas.

Finura ou Fineza

Também conhecido como Índice micronaire, indica a resistência de uma determinada massa de fibras a um fluxo de ar à pressão constante e em câmara de volume definido. Usualmente, o algodão é comercializado entre os limites de 3,9 e 4,5 de micronaire, sendo ideais os compreendidos entre 3,8 e 4,2.

Elasticidade

Capacidade da fibra de recuperar, total ou parcialmente, seu comprimento inicial após cessar a força que causava a deformação.

Resiliência

Propriedade das fibras de voltarem ao seu estado original.

Fiabilidade:

Propriedade que a fibra possui de se transformar em fio.

Umidade e “Regain”

Umidade é o percentual de água que o material possui em relação ao seu peso úmido. Já o “Regain” é o percentual de água que o material possui em relação ao seu peso seco até atingir o ponto de equilíbrio com a umidade relativa do ambiente.

Cor, lustro e reflectância:

A cor está relacionada diretamente a natureza da fibra. O lustro é o brilho natural da fibra e quanto mais lisa e circular, maior o brilho que apresenta. A reflectância (Rd%) representa uma escala que varia do branco ao cinza. Quanto maior a reflectância da fibra, menor seu acinzentamento e maior o interesse da indústria têxtil.

Beneficiamento do algodão

Análise de Nutrientes na Cotonicultura

É realizado nas usinas algodoeiras e consiste, resumidamente, na separação da fibra e das sementes por processos mecânicos, com a mínima depreciação das qualidades da fibra. O processo preza por manter as qualidades e características que atendam às exigências das indústrias de fiação, tecelagem e têxtil.

As etapas de pesagem, avaliação de umidade e variedades são as primeiras a serem realizadas quando o fardo de algodão chega na beneficiadora. Para estes processos, uma amostra do fardo é retirada para que seja realizada a avaliação da transgenia, além do grau de pureza da matéria-prima e seu percentual de umidade. Quanto mais seco o algodão chegar na usina, maior a preservação das qualidades intrínsecas da fibra.

A fase inicial da produção de fios envolve o preparo da “mistura controlada”, em que os fardos de algodão são dispostos na sala de abertura, de maneira previamente organizada, com base nos resultados dos ensaios realizados em laboratórios especialmente estruturados. Isso é feito de acordo com normas técnicas, com equipamentos apropriados e em condições ambientais controladas, em relação à umidade e à temperatura.

A mistura é planejada considerando as características das fibras mais adequadas ao produto pretendido. A alimentação é feita em máquinas chamadas “batedores”, que realizam o processo de abertura e limpeza; em seguida, a mistura passa por um processo de cardagem, no qual há mais uma atividade de limpeza e início da paralelização das fibras.

Já em formato de fita, o material é estirado em passadores e, dependendo do sistema de produção de fios, pode passar ainda pela maçaroqueira, para ser alimentado em um filatório de anel, ou passar diretamente para um filatório a rotor.

Essas duas tecnologias – anel e rotor – são as mais utilizadas pelas indústrias de fiação que trabalham com fibra de algodão. O tipo de tecnologia a ser empregada é determinado pelo produto final que se deseja obter, por sua vez condicionado pelo mercado a que se destina

Na linha de produção dos fios finos, é aplicado um sistema de depuração de impurezas e fibras curtas chamado penteagem. As fitas de fibras passam por um sistema de pentes e de cilindros de estiragem (Figura 6) que promove uma limpeza extra, dando ao fio excelente aspecto e toque suave

Quais as cultivares de algodoeiro com melhor desempenho para utilização no cerrado?

Análise de Nutrientes na Cotonicultura

Com base nos resultados dos ensaios de competição de cultivares conduzidos pela Embrapa, as cultivares de melhor desempenho agronômico e tecnológico, no cerrado, atualmente são as seguintes:

  • Grandes produtores: CNPA ITA 90, BRS IPÊ, BRS SUCUPIRA, BRS AROEIRA, BRS CEDRO, DELTAOPAL, COODETEC 407, STONEVILLE 474, FIBERMAX 966 e BRS JATOBA.
  • Agricultores familiares: BRS AROEIRA, BRS ITAÚBA, BRS FACUAL.

Análise de solo e Análise foliar servem como garantia da maior lucratividade com a cultura do algodão

Vimos também como escolher as cultivares adequadas para cada perfil de produção e como essa etapa do planejamento é importante para a cotonicultura.

Na próxima matéria, vamos trazer os atributos químicos que os solos devem ter para atender as exigências das diferentes finalidades industriais.

Vamos tratar de assuntos como:

– As diretrizes para a interpretação dos teores de Nitrogênio Fósforo, Potássio e outros nutrientes, especificamente para os solos do Cerrado, as recomendações para que os produtores de algodão mantenham os teores de nutrientes no solo dentro da faixa considerada ótima, prevenindo, assim, a ocorrência de deficiências ou excessos, uma vez que ambas podem afetar a produtividade e a qualidade da fibra

– As diretrizes utilizadas para interpretação da análise de folhas estão apresentadas e como ajustar os programas de adubação do algodoeiro para que a concentração de nutrientes nas folhas seja mantida dentro da faixa considerada adequada.

– Aspectos sobre a acidez do solo principal, fator relacionado às baixas produtividades de algodão em função da elevada sensibilidade desta planta ao Al tóxico, assim como baixos teores de cálcio e magnésio.

– Erros e acertos nas práticas de manejo da fertilidade que impactam a qualidade das fibras de algodão nas condições do cerrado brasileiro (região Centro-Oeste).

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