É frequente a demanda por agrônomos, técnicos e agricultores sobre como interpretar corretamente uma análise de solo. E este GUIA PRÁTICO tem o intuito de facilitar esta jornada.

Qual a metodologia a ser seguida?

Importante ressaltar que o trabalho de interpretação de uma análise de solo e a posterior recomendação de manejo do solo deve ser feita por pessoas devidamente capacitadas e habilitadas.

Sugerimos a seguinte metodologia:

  • Passo 1 – Identificar os extratores utilizados
  • Passo 2 – Escolher o manual de referência
  • Passo 3 – Conferir as unidades utilizadas
  • Passo 4 – Interpretar os indicadores
  • Passo 5 – Calcular as quantidades de corretivos e fertilizantes

1º Passo – Identificar os extratores

Análise de solo

Identificar os extratores
mulher colocando solução em um amostra de solo com planta

Os extratores utilizados nas análises são substâncias químicas que tem o papel de “imitar” o processo que as raízes das plantas fazem ao absorver os nutrientes dos solos. Em outras palavras, o extrator, como o nome sugere, deve extrair os nutrientes presentes na amostra enviada ao laboratório na mesma quantidade que as plantas extrairiam. O problema é que há divergência científica sobre quais extratores fazem isso da melhor maneira. Se entrarmos no mérito de qual o extrator ideal podemos entrar numa discussão difícil de ser concluída. A sugestão prática é que foquemos na metodologia utilizada pelo laboratório. Para cada nutriente existe uma metodologia específica e o laboratório deve informar qual o extrator foi utilizado. Nos resultados das análises feitas pela SOLUM estas informações aparecem no canto inferior esquerdo como vemos na Figura 1. Caso esta informação não esteja na análise, é preciso ligar para o laboratório e se informar. Só depois de obtermos esta informação é que poderemos seguir para o passo seguinte.

Figura 1.  Relatório de análise de ensaios e amostras com informações sobre extratores.
solum-lab-realtorio-ensaio-amostra

2º Passo – Escolha do manual de referência

Análise de solo

imagem de uma amostra de solo na mão com um foco na espátula mostrando o solo
imagem de uma amostra de solo na mão com um foco na espátula mostrando o solo

De posse da informação acerca dos extratores, procuramos um manual de referência que contenha tabelas nas quais encontramos a informação do nível crítico (NC) de um determinado nutriente. Os níveis críticos são estabelecidos por milhares de experimentos de campo em que se estabelecem curvas de calibração que correlacionam a produtividade das culturas e o teor do nutriente no solo.  O valor crítico deste nutriente no solo é aquele que proporciona rendimento relativo máximo, ou máxima “produtividade” (Figura 2). Em outras palavras, se houver quantidade igual ou maior a do NC no solo, a planta não terá seu desenvolvimento limitado. Essa verificação é feita para todos os nutrientes, como veremos no passo número 04.

Acontece que várias instituições de pesquisa realizaram seus estudos independentes, gerando diversos manuais de referência com diferentes NCs. Os mais conhecidos são: Boletim 100 (SP), 5ª Aproximação (MG), MAC (RS/SC), CELA (PR) e EMBRAPA.

  • Boletim 100: Instituto Agronômico de Campinas
  • 5ª aproximação: Recomendações para uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais
  • MAC (RS/SC): Manual de Adubação e Calagem para o RS e SC
  • CELA-PR: Manual de Adubação e Calagem para o estado do PR
  • Embrapa: Manual de Calagem e Adubação do estado do Rio de Janeiro
Figura 2. Curva de calibração esquemática indicando as classes e o nível crítico do nutriente no solo.
Imagem mostra a curva de calibração esquemática indicando as classes e o nível crítico do nutriente no solo

Diante disso, qual manual escolher?

O caminho que sugerimos aqui é verificar em primeiro lugar se o extrator utilizado para quantificação de fósforo (P) é Resina ou Mehlich-I. Se o extrator utilizado para mensurar o teor de P do solo for Resina, devemos optar pelo Boletim 100 ou o MAC RS/SC. Para escolher entre eles, pode-se considerar diferentes critérios, como por exemplo, o da regionalização.

Supondo que o extrator de P seja Mehlich-I, o profissional não pode escolher o Boletim 100, pois as curvas de calibração deste manual foram feitas utilizando-se Resina. Portanto, deve-se escolher uma das outras opções.

Importante ressaltar que se pode utilizar um manual que leva o nome de um estado e extrapolar os resultados para outras regiões. Por exemplo, o Boletim 100 de São Paulo, pode ser utilizado para amostras de qualquer local no país, embasado pelo número gigantesco de ensaios de campo conduzidos numa diversidade muito grande de tipos de solo e ambientes, representando desta forma os solos das mais diversas regiões brasileiras.

Nesta Tabela se encontram os principais Manuais de Fertilidade de Referência com os respectivos extratores utilizados por nutriente.

Na tabela se encontram os principais manuais de fertilidade de referência com os respectivos extratores utilizados por nutriente

3º Passo – Conferir as unidades

Análise de solo

pessoa identificando amostras pela etiqueta
pessoa identificando amostras pela etiqueta

É fundamental tomar cuidado especial com as unidades utilizadas, isso porque pode haver diferenças entre a forma que o resultado aparece na análise e as tabelas dos manuais de referência. Por exemplo, o K pode ser representado em mg/dm3, cmolc/dm3 ou mmolc/dm3. Se no resultado da análise o valor for expresso como 0,1 cmolc/dm3 de K e na tabela do manual o NC estiver expresso em mg/dm3, ele precisa ser transformado para a mesma base para podermos comparar os valores. Teríamos então que 0,1 cmolc/dm3 de K é igual a 39,1 mg/dm3 de K. Agora com ambos os valores na mesma unidade podemos compará-los (veja no passo 04).

A tabela abaixo apresenta os valores para as conversões se necessário.

tabela apresenta os valores para as conversões

Fonte: Dr. Fancelli, 2018.

4º Passo – Interpretar os indicadores

Análise de solo

pessoas analisando uma amostra de solo no laboratório
pessoas analisando uma amostra de solo no laboratório

De posse dos resultados da análise que se quer interpretar, do manual de referência adequado e com as unidades igualadas, verificamos como está a quantidade de nutriente no solo em relação ao nível crítico, ou seja, se está baixo, se está bom ou alto. Vejamos através do seguinte exemplo que aproveitamos para enfatizar os passos 1, 2, 3 e 4:

Exemplo 01: Numa determinada análise de solo de uma lavoura no Rio Grande do Sul o valor de potássio (K) apresentado foi de 0,27 cmolc/dm3. O extrator utilizado pelo laboratório e indicado no resultado foi Mehlich-I e a CTC é de 16 cmolc/dm3. Todos os parâmetro citados estão presentes nos resultados da análise que o laboratório apresentou.

Como o extrator foi Mehlich-I (passo 01) podemos optar pelo Manual de Adubação e Calagem do RS/SC (passo 02). Mas precisamos converter a unidade de cmolc/dm3 para mg/dm3. Fazemos isso multiplicando o valor 0,27 por 391 (passo 03). Desta forma temos 0,27 x 391 = 105,6 mg/dm3 de K. Veja na curva de calibração a seguir, extraída do MAC RS/SC, que o NC para CTC > que 15 cmolc/dm3 é 90 mg/dm3. Como o valor obtido no resultado da análise foi 105,6 mg/dm3, entende-se que o teor de K neste solo é alto.

Figura 3. Relação entre o rendimento relativo de culturas e o teor de potássio no solo extraído pela solução de Mehlich-1.
imagem de relação entre o rendimento relativo de culturas e o teor de potássio no solo extraído pela solução de Mehlich-1

Geralmente estes valores são apresentados na forma de tabela:

Tabela 2 – Interpretação do teor de potássio conforme as classes de CTC do solo a pH 7,0
tabela de interpretação do teor de potássio conforme as classes de CTC do solo

Fonte: Manual de Adubação e Calagem do RS e SC.

Para os demais indicadores como outros nutrientes, pH, etc, devemos proceder da mesma forma como fizemos para o exemplo do potássio. Comparando os níveis críticos do manual de referência escolhido com os valores apresentados nos resultados da análise.

5º Passo – Calcular a quantidade de corretivos e fertilizantes

Análise de solo

pessoa colocando fertilizantes no solo
pessoa colocando fertilizantes no solo

A descrição dos critérios e fórmulas matemáticas utilizadas nos cálculos que indicam quanto de corretivos e fertilizantes deve-se aplicar estão muito bem descritos nos manuais de referência. Como o objetivo deste guia prático não é o de aprofundar nas questões de como calcular as quantidades e sim em qual o caminho que deve ser percorrido para se chegar neste cálculo de maneira correta, concluímos que apenas transcrevê-los aqui seria uma tarefa desnecessária.

Aqueles que querem proceder corretamente com o trabalho de diagnóstico de fertilidade química do solo analisado podem agora fazê-lo seguindo os passos aqui propostos.

Perfil de Solo: numa perspectiva em 3 dimensões

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