É possível controlar pulgões com adubação nitrogenada?

O Brasil se destaca mundialmente quanto produtividade da cultura do algodão. Segundo levantamento do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, 2020), lideramos o ranking mundial de quantidade produzida por área com 1.726 toneladas/ ha, à frente da China, EUA e Índia.

Isso significa que, as técnicas de cultivo de algodão adotadas no Brasil são avançadas e dominamos muito bem os fatores que influenciam na produtividade desta cultura.

É justamente essa especialização técnica que torna o cultivo do algodoeiro altamente rentável e atrativo financeiramente.

Porém, a condução adequada da cultura do algodão é muito desafiadora mesmo para técnicos experientes. Existem infinitas variáveis dos sistemas agrícolas para serem gerenciadas.

Os desafios vão desde a escolha adequada da época de semeadura, elaboração de um sistema de rotação de culturas rentável, manejo da fertilidade dos solos, monitoramento e controle de pragas e doenças, acompanhamento de cada etapa do desenvolvimento para tomada de decisões, além dos imprevistos que precisam ser remediados rapidamente.

Nesta matéria, analisaremos como o manejo da adubação nitrogenada pode contribuir para as altas produtividades, focando na solução de um grande problema da cultura do algodão: O pulgão do algodoreiro Aphis gossypii.

Manejo da adubação nitrogenada do algodoeiro

Altas produtividades exigem a adubação econômica

solum-lab-manejo-adubacao-desktop

Altas produtividades implicam diretamente em um grande consumo de nutrientes. Afinal o material que compõe os produtos agrícolas, dentre eles a fibra, o linter, e as sementes de algodão utilizadas como fonte riquíssima de proteínas para alimentação animal, nada mais são do que os nutrientes retirados do solo transformados pelo metabolismo das plantas.

Então, atender essa demanda nutricional é essencial para obter o potencial máximo das plantas de algodão.

A primeira etapa é a realização da análise de nutrientes do solo. Existem diversas formas de fazer o manejo da adubação, porém sistemas altamente tecnificados devem adotar práticas da agricultura de precisão: subdivisão da área em talhões, realização da amostragem em cada talhão, elaboração de mapas de fertilidade e aplicação dos nutrientes em taxa variável.

Aqui na Solum, você encontra os resultados mais precisos nas análises físico/química de solos e também a análise da qualidade dos adubos a serem utilizados. Esses dados permitem o cálculo da adubação correta do algodoeiro trazendo dois impactos diretos na lucratividade da safra: realização da prática de adubação econômica, em que a eficiência do investimento é máxima e também evita os problemas causados pelo excesso de nutrientes, como veremos logo a diante.

A partir do conhecimento do quanto de nutrientes há no solo e o quanto minha produção precisará é possível fazer a determinação da adubação econômica, seguindo as diretrizes dos boletins de recomendação de adubação e calagem.

O conceito de adubação econômica é construído em cima do fato da produtividade agrícola aumentar conforme a quantidade de adubos aplicados, porém até um ponto máximo de eficiência em que o acréscimo de nutrientes não gera aumentos da quantidade produzida. A partir deste ponto ocorre o “consumo de luxo” dos adubos, impactando diretamente na rentabilidade, tanto pelos custos quanto pelos problemas secundários que isso pode trazer.

Detalharemos estes problemas mais adiante.

O pulgão no algodoeiro

Praga que pode comprometer a produção

solum-lab-pulgao-algodoeiro-desktop

Um dos maiores desafios técnicos da cultura do algodão é em relação aos aspectos sanitários desta cultura, que envolve pragas e doenças.

Embora o bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) seja a praga mais limitadora da produção na cultura do algodão, por causar o abortamento dos botões florais, existem outras pragas que em altas incidências podem trazer prejuízos importantes.

Estamos falando de diversas espécies de lagartas, que atacam diferentes estruturas do algodão, percevejos que danificam a maçã do algodão, e também dos pulgões e cochonilhas.

Os pulgões são insetos sugadores de tamanho muito pequeno (1 a 3 mm), que se multiplicam e espalham rapidamente pela área produtiva. Um único pulgão alado pode gerar 4.400 pulgões em três semanas.

São umas das primeiras pragas a atacarem as plantas. Ainda na fase de formação das primeiras folhas verdadeiras, quando estão com cerca de 10 ou 15 cm de altura e podem permanecer até o final do desenvolvimento da produção.

Os prejuízos causados são inúmeros:
— Extração de nutrientes que deveriam servir para o crescimento da jovem planta, atrasando e prejudicando a qualidade do seu desenvolvimento;

— Deformação das folhas mais novas prejudicando sua capacidade máxima de fotossíntese

— Comprometimento total da produção: os pulgões podem ser vetor do vírus CLRDV, causador da conhecida pelos nomes Doença Azul ou mosaico das nervuras forma Ribeirão Bonito, ou ainda virose atípica.

A doença se caracteriza por causar o encurtamento dos entrenós, mosaico ou palidez ao longo das nervuras, melhor visualizado pela observação das folhas contra a luz, e o restante da folha aparenta uma coloração verde azulada ou mesmo arroxeada. Rugosidade e intensa curvatura do limbo a partir das bordas são também verificadas. É comum nos casos mais severos, haver um vermelhão no limbo alcançando nervuras e pecíolo, o encurtamento dos entrenós causa enfezamento da planta, cujo crescimento cessa. A produção é completamente comprometida.

O vírus da doença azul é transmitido pelo pulgão e plantas expostas à alimentação por esses insetos infectados podem desenvolver sintomas em torno de 18 dias após o contato com o vetor.

Diante desta lista de graves prejuízos fica clara a importância do manejo adequado do pulgão no algodoeiro.

O controle de infestações de pulgões é feito principalmente com o controle químico via pulverização. Porém, uma aplicação não garante proteção para todo o ciclo de desenvolvimento da cultura. Torna-se comum a recorrência da infestação, facilitada por diversos fatores, levando a necessidade de repetição das medidas de controle por diversas vezes.

No entanto, como o objetivo dos cultivos é gerar lucros, fazer muitas aplicações diminui drasticamente a margem de lucros, pois cada medida de controle tem seus custos operacionais e com insumos.

Cabe ao Eng. Agrônomo fazer a adoção do Manejo Integrado de Pragas e buscar por medidas que possibilitem prevenir a infestação de cupins, visando reduzir a necessidade de aplicações.

Adubação econômica como ferramenta do Manejo Integrado do pulgão na cultura do algodão

Plantas bem nutridas e saudáveis

solum-lab-manejo-integrado-desktop

No conceito do Manejo Integrado de pragas, existe a busca do entendimento dos processos fisiológicos da planta relacionados com a interação entre praga/planta hospedeira.

No caso das infestações de pulgões em plantas de algodoeiro, esses conhecimentos possibilitam a redução de custos operacionais com medidas de controle.

Pesquisas indicam que insetos sugadores, entre ele os pulgões, são altamente beneficiados com a presença de nutrientes livres na seiva das plantas. Quanto maior for o excedente, mais propícia é a situação para eles e mais vulnerais as plantas estão ao ataque das pragas.

Isso ocorre, pois, ao serem absorvidos pelas raízes, os nutrientes seguem até as folhas, em que é produzida a seiva elaborada, que nutrirá o desenvolvimento da produção. Em condições de excesso de nutrientes, a demanda nutricional é suprida, mas ocorre a sobra de muitas moléculas não utilizadas na formação de nutrientes específicos e esta sobra volta a circular pela planta.

Essa sobra de nutrientes não utilizados é um prato cheio para o pulgão, que, além de ter uma planta de textura mais macia, provocada pelo excesso de nitrogênio, ainda obtém uma seiva altamente nutritiva.

Para o empresário agrícola, a melhor pulverização é aquela que não precisa ser realizada

Como já pontuamos nas linhas anteriores, o objetivo dos cultivos é a obtenção de lucro, e tanto a adubação excessiva quanto o excesso de pulverizações para controlar o pulgão atrapalha neste objetivo.

O Eng. Agrônomo deve usar todas as ferramentas técnicas disponíveis para conduzir os cultivos de modo econômico e devido as pesquisas científicas realizadas por institutos públicos especializados em desenvolver a agricultura nacional, existe um arsenal de técnicas agronômicas que permite manejar as variáveis dos sistemas produtivos.

As pesquisas mostram os benefícios da adubação correta para incontáveis indicadores da qualidade dos cultivos, entre eles a infestação de pragas.

Deste modo, a determinação adequada da necessidade de adubação proporciona tanto a realização de adubação econômica, pois não haverá investimento com adubo em quantidades que não aumentam a produção. Como também, beneficia o MIP do pulgão no algodoeiro, tornando as plantas menos atrativas para este inseto, reduzindo sua capacidade de multiplicação o risco da transmissão da doença viral Doença Azul.

Na Solum somos especialistas em análises agronômicas

Fale agora mesmo com nossos consultores.

Consultoria on-line

Leave a Reply