Adubação nitrogenada aumenta a produtividade da cultura da soja?

 

A Fixação Biológica de Nutrientes é suficiente?

A adubação nitrogenada é indispensável na grande maioria das culturas agrícolas, mas especialmente na cultura da soja ela tem sido dispensada ao longo de décadas do cultivo comercial desta espécie.

A soja, cujo nome científico é Glycine max L. se trata de uma espécie vegetal da Família Fabaceae, que agrupa diversas espécies e dentre elas as chamadas de leguminosas, que como característica apresentam frutos do tipo vagem.

A prática da não realização da adubação nitrogenada na soja tem sido mantida pois leguminosas em geral possuem a capacidade de utilizar o nitrogênio atmosférico para o ciclo de vida através de um processo simbiótico com bactérias específicas chamado Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN)

Bradyrhizobium japonicum e Bradyrhizobium elkanii estabelecem uma simbiose com a soja, formando estruturas típicas, os nódulos, onde, graças à ação de uma enzima bacteriana, a dinitrogenase, ocorre a conversão do nitrogênio atmosférico ou da fase gasosa do solo em amônia, forma assimilável pelas plantas.

Está capacidade é especialmente robusta nas plantas de soja, que atingem altíssimas produtividades utilizando o nitrogênio atmosférico como fonte majoritária deste nutriente, tanto para seu crescimento vegetativo, quanto para o florescimento, formação das vagens e enchimento dos grãos.

Sem a presença da enzima dinitrogenase não ocorre o processo de FBN, sendo que os micronutrientes cobalto e molibdênio são altamente limitantes neste processo, possuindo papel central na cultura da soja.

Análise de micronutrientes essenciais para a FBN da soja é com a Solum

Laboratório registrado no MAPA e Certificado de Qualidade do Programa de Proficiência da Esalq

A determinação das quantidades cobalto e molibdênio são altamente estratégica para a gestão de lavouras de soja.

Aqui na Solum realizamos analises foliares e de solo para determinação precisa dos nutrientes fundamentais para o processo de Fixação Biológica de Nutrientes na cultura da soja.

Na Solum, as análises são realizadas em nosso laboratório de ponta elaborado para atender as demandas da agricultura de precisão.

Além disso, o laboratório é cadastrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e operado por técnicos altamente capacitados utilizando os procedimentos mais precisos de determinações nutricionais.

Como resultado de muito esforço e especialização, conquistamos o Certificado de Qualidade do Programa de Proficiência da Esalq para Tecido Vegetal.

A Esalq é uma instituição cientifica e de ensino consagrada, sendo referência na agricultura brasileira e mundial. Estamos entre os quatro melhores laboratórios do Brasil!

Conte com nossa especialização para obter as informações mais importantes para a estratégia da sua empresa agrícola.

Adubação nitrogenada que “caiu do céu”

Equivalente a uma adubação de 480 kg de ureia / ha

Adubação nitrogenada que “caiu do céu”
Adubação nitrogenada que “caiu do céu”

Agora vamos analisar um pouco dos processos fisiológicos de mobilização e exportação de nitrogênio para termos uma ideia do quanto o empresário agrícola lucra com as bactérias que retiram este elemento da atmosfera.

O elevado teor de proteínas da soja a torna de interesse mundial como fonte de alimento tanto para humanos quanto para produção de carnes.  O principal componente das proteínas é o nitrogênio, portanto é um nutriente exigido em grandes quantidades.

O teor médio de nitrogênio nos grãos é de 6,5%, portanto para produzir 1000 kg de grãos de soja são necessários 65 kg de nitrogênio. Mas para que as plantas produzam grãos elas precisam nutrir sua parte vegetativa: folhas, caule e raízes. Então, adiciona-se mais 15 kg de nitrogênio exigido pela cultura, totalizando aproximadamente 80 kg de nitrogênio, para a produção de 1000 kg de grãos.

Seguindo essas proporções, para obtermos uma produtividade de 3000 kg de grãos / ha são necessários 240 kg de nitrogênio, dos quais 195 kg são retirados da lavoura através da exportação pelos grãos.

Mas a quantidade total de nitrogênio que o empresário agrícola deixa de gastar é bem maior que isso. Pesquisas indicam que cerca de 50% do nitrogênio aplicado via cobertura é perdido, seja pelo processo de lixiviação, no qual ele é arrastado com as aguas da chuva ou irrigação para o lençol freático, quanto pelos processos de volatilização e desnitrificação, onde o elemento é perdido na forma gasosa.

Sendo assim, essas espécies de bactérias simbióticas fixadoras de nitrogênio realizam uma adubação nitrogenada que seria altamente dispendiosa, equivalente a cerca de 480 kg de nitrogênio/ ha, caso fosse realizada quimicamente, em troca de apenas alguns produtos da fotossíntese, em quantidades mínimas.

Pode haver aumento na produtividade da soja com a adubação nitrogenada?

As dúvidas movem a ciência e o agro

Apesar de ser uma pratica comum e possuir inúmeras pesquisas validando-a, a não realização de adubação nitrogenada na soja desperta muitos questionamentos a respeito da possibilidade do incremento na produtividade se realizada em algumas condições ou momentos que, teoricamente, seriam estratégicos, tendo em vista a fisiologia da produção.

Por exemplo:

Sob Sistema de Plantio Direto (SPD), a maior imobilização do N do solo pelos resíduos vegetais implica na necessidade de complementação inicial com fertilizante nitrogenado, a “dose de arranque”, para evitar sintomas iniciais de deficiência de N?

Após o florescimento os nódulos que fixam o nitrogênio perdem drasticamente sua eficiência. A fase seguinte é a de enchimento de grãos, que exige uma elevada quantidade de nutrientes. Seria vantajoso aplicar, 50 kg N/ha para nutrir a fase de enchimento dos grãos? E 50 kg N no pré-florescimento?

Como a produtividade da soja é afetada pela aplicação de 100kg de N/ há no plantio?

Para responder a essas perguntas a Embrapa realizou 9 experimentos em 3 cidades em sistema de plantio convencional ou direto em diferentes tipos de solo com o objetivo de verificar se a adição de diferentes doses de adubo nitrogenados em diferentes épocas de adubação afetam a produtividade de áreas cultivadas com sementes de soja que receberam a inoculação de Bradyrhizobium japonicum e Bradyrhizobium elkanii com produtos comerciais.

Nesta matéria, vamos analisar os resultados dos estudos de campo em diversas condições agronômicas para compreender qual o efeito do incremento da adubação nitrogenada na cultura da soja.

Estabelecimento de testes em campo sobre a adubação nitrogenada na soja

Experimentos realizados pela Embrapa

Estabelecimento de testes em campo sobre a adubação nitrogenada na soja
Estabelecimento de testes em campo sobre a adubação nitrogenada na soja

Foram conduzidos nove experimentos na safra 2000/2001, quatro em um latossolo roxo distrófico na Estação Experimental da Embrapa Soja, em Londrina, PR, quatro em um latossolo vermelho escuro no Serviço de Produção de Sementes Básicas da Embrapa, em Ponta Grossa, PR e um na Fazenda Boa Vista, no município de Jaciara, MT, em um latossolo vermelho escuro.

Todas as áreas já haviam sido cultivadas com soja há mais de dez anos e apresentavam uma população elevada de estirpes de B. japonicum e B. elkanii.

As semeaduras foram realizadas em 01/11/2000 em Londrina, em 16/11/2000 em Ponta Grossa, e em 22/11/2000, em Jaciara. Em Londrina e Ponta Grossa, os experimentos foram conduzidos nos sistemas de plantio convencional (PC) e plantio direto (PD), com a cultivar EMBRAPA 48, de ciclo curto e outra cultivar de ciclo mais longo, a BRS 134. Em Jaciara, o experimento foi conduzido no sistema de plantio direto, com a cultivar UFV-18.

A análise da população de Bradyrhizobium indicou as seguintes populações,nos primeiros 20 cm de solo: 10 células/g de solo em Londrina e Jaciara e 10 células/g em Ponta Grossa.

um latossolo vermelho escuro no Serviço de Produção de Sementes Básicas da Embrapa

Foi realizada a análise química dos solos e, posteriormente, a calagem e adubação, aplicando-se 300 kg/ha de N-P-K (0-28-20) em Londrina e Ponta Grossa e 400 kg de 02-20-18 em Jaciara. Aos 50 dias após a semeadura, foi aplicado Molibidênio – Mo e Cobalto – Co via foliar, na dose de 20 g/ha de Mo e 2 g/ha de Co.

As parcelas experimentais mediram 5,0 x 3,2 m, com 0,5 m entre linhas e foram separadas por 0,8 m e pequenos terraços de 1,6 m, construídos para evitar contaminação por escorrimento superficial de solo contendo bactérias de outras parcelas. Em Jaciara as parcelas mediram 5,0 X 4,0 m, com 0,5 m entre linhas e foram separadas por 1,0 m e pequenos terraços. Os experimentos foram conduzidos em delineamento experimental em blocos ao acaso, com seis repetições.

– Cada experimento constou de seis tratamentos

  1. Controle não inoculado;
  2. Controle não inoculado + 200 kg de Nitrogênio – N (100 kg de N no plantio e 100 kg no florescimento);
  3. Inoculação padrão (IP) com as estirpes SEMIA 587 + SEMIA 5080, na dose de 500 g de 8 inoculante turfoso (10 células/g)/ 50 kg de sementes;
  4. IP + 30 kg de N no plantio;
  5. IP + 50 kg de N no préflorescimento;
  6. IP + 50 kg de N no início do enchimento dos grãos.

O N foi sempre fornecido como uréia e a lanço. Aos 50 dias após a semeadura foram coletadas 10 plantas por repetição.

Procedimentos para avaliação dos resultados

Foram avaliados Massa de nódulos secos e N total acumulado na parte aérea no pré-florescimento e rendimento de grãos de soja.

Procedimentos para avaliação dos resultados
Procedimentos para avaliação dos resultados

As plantas foram separadas em parte aérea e raiz e o material foi seco em estufa a 65ºC, até atingir massa constante.

Os nódulos foram coletados das raízes, contados, secos e pesados.

O N total da parte aérea foi avaliado pelo método N-Kjeldahl.

Na colheita, foi avaliado o rendimento dos grãos, corrigido para 13% de umidade no aparelho determinador de umidade Vurroughf 700.

As médias dos dados foram comparadas pelo teste de Duncan ao nível de 5% de probabilidade, utilizando o programa SANEST-PC.

Resultados das diferentes doses de nitrogênio em diferentes áreas de cultivo de soja

Incremento ou prejuízo na produção?

A aplicação de 100 kg de N/ha no plantio reduziu drasticamente a nodulação das plantas de soja em 2 dos 3 municípios

Aplicação de 100 kg de N/ha no plantio= Reduziu drasticamente a nodulação
Aplicação de 30 Kg de N/ha no plantio (aplicação considerada baixa) =  reduziu entre 44 e 88%  da nodulação nos 8 experimentos, em relação a população naturalizada no solo.

O rendimento da soja não foi afetado pela reinoculação, mas a população estabelecida de Bradyrhizobium foi capaz de fornecer todo o N necessário ao desenvolvimento da soja, não se constatando benefícios pela aplicação de fertilizante nitrogenado em nenhum dos estágios estudados.

Não foram encontradas diferenças nos parâmetros de nodulação e no teor de N total acumulado nos tecidos entre o tratamento inoculado (IP) e o tratamento com a população naturalizada no solo.

Não foram observados incrementos nos teores de N total nos tecidos apesar da aplicação de fertilizante nitrogenado em três épocas distintas.

O rendimento da soja não foi afetado pela reinoculação, mas a população estabelecida de Bradyrhizobium foi capaz de fornecer todo o N necessário ao desenvolvimento da soja, não se constatando benefícios pela aplicação de fertilizante nitrogenado em nenhum dos estágios estudados.

Finalmente, é importante salientar que em todos esses experimentos os rendimentos obtidos foram elevados, em média 3.200 kg/ha no tratamento controle sem N-fertilizante, portanto, confirmando que o processo de fixação biológica do N é capaz de garantir 2 todo o N necessário ao desenvolvimento das novas cultivares de soja, mais produtivas.

Conclusões

Não realizar adubação nitrogenada na cultura da soja

Os resultados obtidos nesses nove experimentos, portanto, corroboram com aqueles obtidos em vários outros locais do Brasil, indicando que a adubação nitrogenada na cultura da soja é desnecessária, seja no plantio, florescimento ou no enchimento dos grãos.

Referências do artigo:

https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/

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